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Gana lança programa para combater falsos profetas no país

Medida de fact checking promovida pelo governo ocorre em meio a uma crescente vertiginosa no número de profetas em Gana

Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

O governo de Gana está adotando medidas inéditas para lidar com o problema crescente de profecias falsas e alarmantes divulgadas por religiosos e influenciadores, que muitas vezes se espalham pelas redes sociais e desencadeiam medo, confusão e até pânico entre a população. Em resposta, autoridades e organizações de mídia lançaram um programa de fact-checking focado especificamente em declarações proféticas e previsões, sinalizando uma tentativa de regular o discurso religioso nas plataformas digitais e proteger o público contra desinformação.

O contexto para essa iniciativa inclui uma proliferação de profecias públicas de figuras autodenominadas “profetas” que anunciam eventos extraordinários ou apocalípticos, muitos dos quais circulam amplamente em redes sociais antes de serem verificados. Um exemplo recente é o de Ebo Noé, um homem em Gana que ganhou atenção internacional ao afirmar que Deus lhe havia dito que um dilúvio global começaria em 25 de dezembro de 2025, levando-o a construir supostas “arcas” para salvar pessoas. Embora suas afirmações viralizassem, ele foi posteriormente preso por divulgação de informações falsas, com as autoridades afirmando que os vídeos e previsões eram enganosos.

Profetas em Gana

A iniciativa de checagem — parte de uma estratégia mais ampla de combate à desinformação — busca verificar em tempo real ou pouco após a divulgação se determinadas profecias têm evidências que as sustentem ou se se tratam de invenções sem base racional. Isso é parte de um movimento mais amplo em Gana para enfrentar a desinformação online, especialmente após a popularização de vídeos e mensagens que combinam fé, medo e apelos urgentes ao público, que às vezes podem gerar consequências sociais indesejadas.

Organizações de checagem estabelecidas no país já desempenham papel importante nesse cenário. Projetos como a Fact-Check Ghana ajudam a verificar declarações públicas e notícias virais, trabalhando para promover um discurso baseado em fatos entre governos e sociedade civil. Esses grupos colaboram com iniciativas regionais de verificação, como a FactSpace West Africa, que se estende além das fronteiras ganesas para monitorar desinformação em toda a África Ocidental.

Os esforços refletem uma tendência global — em que governos e organizações civis reconhecem que a propagação de informações não verificadas, incluindo previsões proféticas, pode ser tão prejudicial quanto notícias falsas convencionais, especialmente em contextos onde crenças religiosas têm grande influência social. Autoridades em Gana têm buscado equilibrar a liberdade de expressão religiosa com a necessidade de proteger o público de previsões enganadoras que possam gerar ansiedade coletiva ou decisões irracionais.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.