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Vigas do Primeiro Templo de Jerusalém são achadas em escavação

Peças carbonizadas durante o incêndio que destruiu a cidade há mais de dois milênios foram localizadas no Parque Nacional das Muralhas de Jerusalém

Vigas de madeira carbonizadas, associadas ao Primeiro Templo de Jerusalém, foram encontradas durante escavações arqueológicas. Foto: Reprodução/IAA

Arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) e da Universidade de Tel Aviv anunciaram uma descoberta histórica marcante nesta segunda-feira, 20 de julho: durante escavações recentes no Parque Nacional das Muralhas de Jerusalém, foram encontradas vigas de madeira maciças que remontam à época do Primeiro Templo. As peças foram preservadas ao longo de 2.600 anos por terem sido carbonizadas durante o grande incêndio que devastou a cidade na antiguidade.

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Relíquias de tempos bíblicos

O Primeiro Templo, estrutura de imenso valor religioso e histórico, teria sido erguido pelo rei Salomão e foi destruído no ano 586 a.C.. O responsável pela queda da edificação e da cidade foi Nabucodonosor II, o segundo soberano do Império Neobabilônico. Segundo informações divulgadas pelo jornal Jerusalem Post, as vigas queimadas estavam situadas no interior de um edifício que colapsou justamente durante aquele evento catastrófico.

Memória preservada pelo fogo 

A diretora da escavação pela IAA, Efrat Bocher, detalhou que as peças provavelmente compunham a estrutura superior de um pátio. “As vigas parecem ter servido como cobertura de um pátio interno em um edifício do período do Primeiro Templo”, afirmou a especialista, conforme repercutiu o veículo de notícias internacional. 

Um aspecto técnico que permitiu a sobrevivência do material foi o fato de o reboco das paredes ter derretido com o calor, selando a madeira sob os escombros. Especialistas acreditam que os moradores que retornaram após a destruição optaram por preservar esses vestígios como uma forma de manter viva a memória do ocorrido.

Precisão histórica sem precedentes 

Para a comunidade científica, o achado é extremamente raro devido ao estado de conservação dos anéis de crescimento da madeira. Conforme destacou Johanna Regev, pesquisadora da IAA que analisa as vigas, a descoberta abre portas para estudos cronológicos muito mais precisos. 

“É muito raro encontrar em Israel madeira com um número tão grande de anéis de crescimento. Aqui, na Cidade de Davi, encontramos vigas grossas com muitos anéis, o que oferece um potencial de pesquisa significativo”, explicou Johanna Regev. Com esses dados, a margem de erro para datação arqueológica na região poderá ser reduzida de séculos para apenas dez anos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

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