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Animais antecipam conflitos de maneira semelhante aos humanos, diz estudo

Pesquisadores descobrem que espécies sociais utilizam espionagem, alianças e até infanticídio para se prepararem para combates, espelhando ações humanas

Suricatas reforçam a coesão do grupo diante da aproximação de uma ameaça - Foto: Andy Radford/Universidade de Bristol

No reino animal, a sobrevivência de grupos sociais depende de muito mais do que apenas a força bruta no momento do combate. Segundo um estudo recente publicado no periódico Trends in Ecology & Evolution, diversas espécies demonstraram possuir táticas antecipatórias de guerra que lembram as preparações militares dos seres humanos. Essas descobertas indicam que pistas ambientais e memórias de conflitos passados funcionam como gatilhos para que os animais adotem medidas defensivas e ofensivas antes mesmo do primeiro confronto físico ocorrer.

Estratégias de vigilância

Conforme o veículo Popular Science, as semelhanças com o comportamento humano são evidentes na forma como as informações são coletadas. Enquanto pessoas usam terrenos elevados para espionar o inimigo, grupos de chimpanzés costumam descansar em topos de colinas em áreas de disputa territorial. Em vez de se alimentarem ou viajarem, eles permanecem em silêncio absoluto para monitorar os rivais sem serem detectados. 

O biólogo comportamental Andrew Radford, da Universidade de Bristol, ressalta que essas tensões são onipresentes no planeta. “O conflito entre grupos é comum em todo o mundo natural, sendo encontrado em espécies sociais, de formigas a primatas”, afirmou Andrew. Para o especialista, o estudo dessas condutas em animais pode “ajudar a fornecer insights sobre nossa própria ancestralidade de conflito”.

Alianças e violência

A preparação também envolve a manipulação do ambiente e o fortalecimento da união do grupo. O ecologista Josh Arbon, também pesquisador em Bristol, explica que o nível de alerta dos animais é ajustado de acordo com a gravidade do perigo percebido. “O que está se tornando muito claro é que o comportamento preventivo é generalizado sempre que o conflito entre grupos é encontrado”, declarou Josh.

Ele observa que a vigilância aumenta quando os adversários são maiores ou pouco conhecidos pelo bando. Entre os comportamentos citados, destacam-se as incursões letais de mangustos-listrados, que invadem territórios vizinhos para matar os filhotes de seus rivais, enfraquecendo a linhagem inimiga. Por outro lado, o preparo pode ser amigável internamente; chimpanzés e aves aumentam as brincadeiras e a limpeza mútua antes da defesa de território para reduzir a ansiedade e criar uma força de combate mais coesa.

Motor da evolução

Os pesquisadores acreditam que essa necessidade constante de antecipar ataques pode ser um dos grandes motivos para o desenvolvimento da inteligência avançada em certas espécies. Josh Arbon reforça que o ajuste de conduta é uma ferramenta para “minimizar o risco coletivo e individual em antecipação a encontros com grupos rivais”. 

Essa complexidade estratégica sugere um processamento mental elevado para interpretar sinais de perigo. Para Andrew Radford, o impacto desse comportamento é histórico e biológico. “O conflito entre grupos pode ser um importante motor social da evolução cognitiva”, concluiu Andrew Radford, indicando que a guerra pode ter sido o que forçou o cérebro animal a evoluir para entender e prever ameaças sociais complexas ao longo dos séculos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.