Proteína de rã pode se tornar 1° antídoto para toxina mortal da ‘maré vermelha’
As algas da “maré vermelha” produzem a saxitoxina, ou STX, toxina mortal para humanos; cientistas descobriram forma que rãs controlam os efeitos

Com os efeitos das mudanças climáticas, a floração das algas da “maré vermelha” tem se tornado mais frequentes na costa do Pacífico. No entanto, essas algas produzem uma das neurotoxinas naturais mais potentes, a saxitoxina, ou STX. Quando ingerida, causa envenenamento paralítico.
Contudo, a descoberta da toxina é relativamente recente, visto que a STX costuma se acumular em mariscos. Assim, as pessoas ao ingerir os mariscos confundiam a reação alérgica aos efeitos do envenenamento da “maré vermelha”.
Atualmente, não se conhece nenhum antídoto para o STX, tanto é que ele foi estocado durante a Guerra Fria para ser usado como arma química. Mas um estudo da UC San Francisco publicado na revista Nature Communications, pretende mudar isso.
O estudo da toxina mortal
De acordo com a equipe liderada por Daniel Minor, Ph.D., professor do Instituto de Pesquisa Cardiovascular da UCSF, uma proteína chamada saxifilina pode neutralizar a saxitoxina em camundongos, prevenindo e até revertendo o envenenamento de outra forma letal.
Essa proteína é comum e natural em rãs-touro e demais rãs de todo mundo, e agem como esponja molecular. Assim, ao se ligar com a saxitoxina na corrente sanguínea, evita que a toxina possa atingir as células nervosas e musculares que normalmente atacam.
Vale destacar que a pesquisa caia em muito boa hora, visto que recentemente a proliferação de algas nocivas têm se tornado mais frequente em todo o mundo. O químico de Stanford Justin Du Bois, Ph.D, destaca que esse antídoto pode orientar pesquisadores para a descoberta da cura de mais toxinas espalhadas pelo mundo.
Conforme os especialistas, a molécula proteica se liga diretamente com a toxina e a impede de atacar as moléculas do corpo. Para fazer tal descoberta, os cientistas expuseram camundongos à doses letais de STX e logo aplicaram a proteína.
Surpreendentemente, o tamanho da molécula não foi um problema e a proteína conseguiu além de retardar a ação da toxina, melhorar os sintomas associados ao envenenamento grave. Conforme a revista Phys, Minor destaca:
Tínhamos uma proteína muito grande que precisava alcançar uma minúscula molécula de toxina que tem um início de funcionamento. […] Nós realmente não tínhamos certeza de que isso ia funcionar.”
Não obstante, os cientistas ainda destacam que a proteína pode servir de identificador da toxina no mar, acelerando e barateando o processo de monitoramento. De qualquer forma, o estudo ainda precisa de maiores avanços e desenvolvimento até que possa ser aplicado em seres humanos.
*Sob supervisão de Éric Moreira