Notícias / Arqueologia

Antigo tesouro com moedas islâmicas de prata é encontrado no Báltico

Antigo tesouro com 59 moedas islâmicas de prata foi encontrado perto da Lagoa de Kaliningrado, demarcando o registro mais antigo da rota comercial

Foto de moedas islâmicas de prata encontradas no Báltico
Foto de moedas islâmicas de prata encontradas no Báltico - Créditos: Divulgação/Instituto de Arqueologia RAS

Recentemente, um tesouro enterrado em solo báltico revelou as origens do comércio com o mundo islâmico. De acordo com os escavadores do Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências, o item estava em um antigo assentamento que foi ocupado do século 8 ao 12.

Assim, dentre os 29 dirhams e os 30 fragmentos de moedas, os arqueólogos identificaram uma moeda emitida no reinado de Marwan II, o último califa Omíada, e as outras sob o Califado Abássida após 750 d.C. Sendo a maioria do governo de Harun al-Rashid, que liderou entre 786 a 809 d.C.

Fato é que as moedas apresentam forte circulação no contexto báltico, tendo servido de moedas de troca mas também pingentes e joias para a população local. Inclusive, esses dados só são possíveis de saber pois muitas delas estão cortadas ao meio, possuem pequenos furos e carregam cortes pela borda.

As moedas islâmicas de prata

Para os estudiosos há algumas diferenças claras entre as moedas completas e as danificadas, a idade, condição e local de origem. Ou seja, provavelmente as moedas islâmicas de prata que estavam enterradas no mesmo tesouro enterrado vinham de diferentes rotas comerciais até o báltico.

Conforme o Archeology Magazine, a maioria das moedas completas veio de Madinat al-Salam, atual Bagdá. Algumas outras vieram de al-Kufa, Nishapur e al-Muhammadiyah, na Arábia Saudita, o que mostra a amplitude do sistema de cunhagem Abássida.

No entanto, aquelas que foram danificadas ao longo do uso vinham de áreas ainda mais diversas. Por exemplo: al-Basra e al-Kufa, enquanto que a mais oriental vinha de Madinat Zarang, no atual Afeganistão. Inclusive, a moeda mais antiga, do Califado Omíada foi cunhada em Wasit, no Iraque moderno.

Fato é que esses vestígios históricos demarcam a magnitude das redes de comércio produzidas dentro do sistema islâmico, uma vez que essas mesmas cunhagens já foram encontradas nas mãos de vikings e de sujeitos da Península Ibérica.

Dessa forma, devido a conexão de toda a Europa, o norte utilizava dirhams como dinheiro cotidianamente. Vale destacar que a região já havia revelado outros dois tesouros semelhantes anteriormente, mas na época os pesquisadores não conseguiram determinar de quando eram as moedas e porquê foram enterradas.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: