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Exposição revela coroas e tesouros reais da Polônia e da Lituânia perdidos há quase um século

Joias funerárias de monarcas do século 16, escondidas desde a Segunda Guerra Mundial, são exibidas em Vilnius após descoberta surpreendente em 2024

Insígnia funerária pertencente a um dos monarcas sepultados na Catedral de Vilnius integra a coleção redescoberta no fim de 2024 e agora exibida ao público. Foto: Aiste Karpyte/Arquidiocese de Vilnius.

A capital da Lituânia, Vilnius, tornou-se o centro de uma importante revelação histórica com a abertura da exposição “Oculto por Dentro”. Pela primeira vez em quase um século, o público pode ver uma coleção de coroas, joias e insígnias funerárias pertencentes ao rei Alexandre Jagelão, à rainha da Polônia e grã-duquesa da Lituânia Elisabeth da Áustria e à rainha Bárbara Radziwill, monarcas ligados às coroas da Lituânia e da Polônia no século 16.

Segundo a revista Archaeology News, o acervo, que inclui três coroas funerárias, um cetro, um orbe e objetos pessoais sepultados com os soberanos, foi escondido durante a Segunda Guerra Mundial para protegê-lo de saques e danos. Considerados perdidos por décadas, os artefatos foram redescobertos de forma inesperada no fim de 2024 e agora voltam a ser exibidos ao público pela primeira vez em quase cem anos.

Mistério nas criptas

Os itens foram localizados originalmente em 1931, quando cheias na Catedral de Vilnius revelaram criptas subterrâneas que guardavam os restos mortais do rei Alexandre Jagelão, da rainha Elisabeth da Áustria e da rainha Bárbara Radziwill. Temendo os saques que acompanhariam o avanço dos exércitos durante a Segunda Guerra Mundial, líderes da Igreja optaram por esconder a coleção para sua proteção. Embora parte do tesouro da catedral tenha retornado à luz em 1985, as insígnias reais funerárias permaneceram desaparecidas por décadas, alimentando a crença de que teriam se perdido para sempre.

Criptas da Catedral de Vilnius, onde os restos mortais de três monarcas e suas insígnias funerárias foram encontrados em 1931. Foto: Gediminas Treciokas.

Interesse histórico europeu

A notícia da recuperação e exibição dessas peças gerou entusiasmo imediato em instituições culturais de todo o continente. O professor Andrzej Betlej, que atua como diretor do Castelo Real de Wawel, na Polônia, destacou a importância do achado para a identidade regional ao afirmar que o reaparecimento das peças surpreendeu historiadores: “A notícia despertou grande interesse na Polônia, pois muitas pessoas acreditavam que os objetos haviam se perdido para sempre”, afirmou Andrzej. Ele descreveu a descoberta como uma parte fundamental para compreender a história compartilhada entre as duas nações vizinhas.

Restauração de peças únicas

O estado de conservação dos objetos era alarmante devido à umidade do esconderijo, exigindo meses de trabalho minucioso de restauradores antes da abertura da mostra. Um dos itens mais raros é o medalhão da rainha Elisabeth, fabricado a partir de uma moeda de ouro de 1533 que exibe retratos do rei Sigismundo I, o Velho, e de seu filho, Sigismundo II Augusto

Relicário (com um medalhão do Agnus Dei) com um fragmento de uma caixa deteriorada. Crédito: E. Levin

A curadora da mostra, Dra. Giedrė Mickūnaitė, explicou que a sobrevivência desses itens é um fenômeno raro por si só. “As insígnias reais pessoais feitas para um único governante raramente sobrevivem”, comentou Giedrė, ressaltando que, ao longo dos séculos, esses objetos eram frequentemente derretidos para a criação de novas joias.

Ourivesaria da Renascença

Além da importância política, as peças revelam a engenhosidade artística da dinastia Jaguelônica, período que moldou a história da Europa Central. Como gemas caras nem sempre estavam disponíveis, artesãos da Renascença usavam métodos criativos, como escavar granadas para que se parecessem com rubis. 

Da esquerda para a direita: oferendas votivas doadas à Catedral de Vilnius e anel de Bárbara Radziwill (1522–1551), rainha da Polônia e grã-duquesa da Lituânia, que integra a coleção de artefatos redescoberta em 2024. Fotos: G. Čiuželis/G. Chiuzelis.

Agora, expostos no Museu do Patrimônio da Igreja de Vilnius, esses tesouros, que incluem anéis de ouro adornados com esmeraldas e a corrente de ouro de Bárbara Radziwill, oferecem uma visão íntima da opulência das cortes reais de séculos atrás. A exposição apresenta ao todo três coroas, um cetro e um orbe.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.