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Joias de René Lalique avaliadas em US$ 5 milhões são roubadas de museu na França

Trio invadiu o Museu Lalique, na França, e levou 27 peças em apenas 11 minutos, incluindo um raro pingente criado pelo renomado artista René Lalique

Pingente Femme libellule ailes ouvertes / Crédito: Reprodução/Instagram/Coll. Musée Lalique/Studio Y. Langlois

Um roubo ocorrido na madrugada de domingo atingiu o Museu Lalique, na vila francesa de Wingen-sur-Moder, no leste da França, resultando no desaparecimento de 27 joias e obras de arte avaliadas em cerca de US$ 5 milhões (mais de R$ 25 milhões, na cotação atual). A ação acontece poucos meses após outro furto de grande repercussão no país, quando ladrões invadiram o Louvre e levaram joias da coroa real.

De acordo com as autoridades, três homens mascarados e armados com marretas invadiram o museu durante a madrugada. Em apenas 11 minutos, o grupo quebrou seis vitrines e recolheu 27 peças antes de fugir. O caso mobilizou investigadores e reacendeu o debate sobre a segurança em instituições culturais francesas.

Segundo reportagens da imprensa local, o sistema de alarme foi acionado durante a invasão, mas o prefeito de Wingen-sur-Moder criticou a demora na resposta da equipe de segurança. Em declaração ao jornal Les Dernières Nouvelles d’Alsace, reproduzida por veículos franceses, ele manifestou indignação com a atuação durante o assalto.

Especializado em peças de vidro, cristal e frascos de perfume, o Museu Lalique é reconhecido sobretudo pelo acervo dedicado ao artista René Lalique, considerado um dos nomes mais importantes da joalheria francesa entre o fim do século 19 e o início do século 20.

Depois de atuar como aprendiz do artesão e joalheiro Louis Aucoc, Lalique trabalhou para casas como Jacta, Cartier e Boucheron antes de abrir sua própria loja em Paris. Suas criações inovadoras e colaborações com figuras influentes da época renderam-lhe o reconhecimento de Émile Gallé como o “inventor da joalheria moderna“, segundo o Journal of Antiques & Collectibles.

Itens roubados

Entre os itens levados pelos criminosos está uma das peças mais emblemáticas do acervo: Femme libellule ailes ouvertes (“Mulher Libélula com Asas Abertas”), um pingente confeccionado em ouro, diamantes e esmalte entre 1898 e 1900. A obra foi a primeira aquisição realizada para a formação da coleção do museu e ocupava posição de destaque nas exposições.

“A equipe, portanto, tinha um carinho especial por ele e espera que um dia possa ser encontrado”, afirmou o museu em comunicado publicado no Instagram. “Ele era, em particular, a peça central de uma de nossas visitas guiadas para crianças bem pequenas.”

Além do pingente, os ladrões levaram broches, colares, pulseiras, pingentes, um busto, um frasco de perfume, um pente, um alfinete de chapéu, uma fivela de cinto e um face-à-main, acessório semelhante a um par de óculos de mão, repercute a Smithsonian Magazine.

Embora obras de arte roubadas frequentemente sejam desmontadas ou derretidas para venda do material, os responsáveis pelo museu destacam que esse procedimento eliminaria justamente o maior valor das peças de René Lalique.

“As joias de René Lalique são reconhecidas pelo seu valor artístico, e não pelos materiais utilizados. De fato, o artista apreciava particularmente o uso de esmalte, chifre e vidro em suas criações”, informou a instituição à National Jeweler. “Uma vez desmontadas, as joias perdem o valor dos materiais em comparação ao seu valor artístico.”

O museu permanece fechado desde o roubo, enquanto as investigações seguem em andamento. O episódio também reforçou discussões sobre a infraestrutura de segurança dos museus franceses.

Um relatório divulgado pelo Parlamento da França em maio apontou uma “crise dos museus” no país e revelou que, entre 616 instituições analisadas pelo Ministério da Cultura em 2024, apenas 54% contavam com sistemas de videovigilância e 64% possuíam procedimentos formais de segurança.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.