Louvre está ‘no limite’, afirma novo presidente após crise provocada por roubo de joias
Dirigente diz que museu enfrenta falhas de segurança, infraestrutura envelhecida e necessidade urgente de investimentos bilionários

O Museu do Louvre, em Paris, atravessa um momento delicado e precisa enfrentar uma série de desafios relacionados à segurança, infraestrutura e modernização de suas instalações. A avaliação foi feita por Christophe Leribault, novo presidente da instituição, que afirmou que o museu mais visitado do mundo está “no limite” após a crise desencadeada pelo roubo de joias da Coroa ocorrido em outubro do ano passado.
Durante uma audiência em uma comissão do Senado francês, Leribault declarou que, apesar da grandiosidade do Louvre e do trabalho realizado diariamente por suas equipes, o museu enfrenta problemas estruturais acumulados ao longo dos anos.
Segundo ele, equipamentos e infraestruturas estão chegando ao fim de um ciclo e exigem intervenções importantes para garantir o funcionamento adequado da instituição nos próximos anos.
Roubo expôs problemas de segurança
O roubo de várias joias da Coroa, ocorrido em 19 de outubro de 2025, colocou em evidência fragilidades nos sistemas de segurança do museu e também atrasos em projetos de modernização.
Para Leribault, a instituição chegou a uma encruzilhada em que as urgências relacionadas ao edifício se acumulam, enquanto cresce a necessidade de investimentos capazes de garantir melhorias estruturais.
O presidente do Louvre reconheceu que o impacto do crime ainda é sentido dentro da instituição.
“A ferida do roubo e o trauma dos meses que se seguiram continuam sendo muito intensos no museu”, afirmou.
Projeto prevê renovação bilionária
Durante a audiência, Leribault também comentou o grande plano de renovação anunciado pelo presidente francês Emmanuel Macron no início de 2025.
O projeto prevê a criação de uma nova entrada para o museu e a construção de uma sala subterrânea dedicada à exibição da Mona Lisa, considerada a principal atração da instituição.
As duas iniciativas somam um valor estimado de 660 milhões de euros, cerca de R$ 3,88 bilhões. O plano integra um projeto mais amplo avaliado em aproximadamente 1 bilhão de euros, equivalente a cerca de R$ 5,88 bilhões.
Segundo o dirigente, parte significativa dos recursos deverá ser obtida por meio de mecenato. Cerca da metade dos 660 milhões de euros deverá vir da exploração da marca Louvre Abu Dhabi, unidade inaugurada pelo museu em 2017 nos Emirados Árabes Unidos.
O restante dos recursos precisará ser captado junto a empresas e doadores individuais, repercute a Folha de S. Paulo.
Novas medidas de vigilância
No campo da segurança, o presidente anunciou a implementação de um novo sistema de videomonitoramento a partir de janeiro de 2027.
Enquanto o projeto mais amplo não é concluído, o museu instalou câmeras adicionais em pontos considerados estratégicos e vulneráveis.
Leribault explicou que uma renovação completa da rede de vigilância exige reforços na estrutura técnica do edifício, o que demanda investimentos e planejamento de longo prazo.
Com milhões de visitantes recebidos anualmente e diante da repercussão internacional do roubo das joias da Coroa, a direção do Louvre busca agora equilibrar a preservação de seu patrimônio com a necessidade de modernizar uma das instituições culturais mais importantes do mundo.
*Sob supervisão de Éric Moreira