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DNA revela identidade de jovem soldado morto na Guerra da Independência dos EUA

Exames de DNA confirmaram a identidade de John Pumphrey, morto na Batalha de Camden com entre 13 e 15 anos, em 1780; confira!

Gravura representando a Batalha de Camden / Crédito: Getty Images

Pesquisadores identificaram, por meio de análises de DNA, um jovem soldado americano morto na Guerra da Independência dos Estados Unidos há mais de 245 anos.

Os exames revelaram que os restos mortais encontrados no campo da Batalha de Camden pertencem a John Pumphrey, natural do Condado de Anne Arundel, em Maryland. A identificação faz dele o primeiro combatente localizado nesse campo de batalha a ter sua identidade confirmada com o uso da genealogia genética forense.

A descoberta é resultado de uma colaboração entre o Instituto de Arqueologia e Antropologia da Carolina do Sul, da Universidade da Carolina do Sul, e a empresa FHD Forensics, do Texas. Os especialistas extraíram DNA de uma pequena amostra óssea e compararam o material genético com informações fornecidas voluntariamente por parentes vivos em bancos de dados genealógicos públicos utilizados em investigações forenses.

John Pumphrey e a Batalha de Camden

Os registros históricos mostram que Pumphrey ingressou no 7º Regimento de Maryland, em Baltimore, no ano de 1777. A análise antropológica das placas de crescimento de seus joelhos permitiu estimar que ele tinha entre 13 e 15 anos quando se alistou no Exército Continental.

Ele morreu durante a Batalha de Camden, travada em 16 de agosto de 1780, provavelmente antes de completar 18 anos, o que o coloca entre os soldados mais jovens da chamada Linha de Maryland comandada pelo general George Washington.

Segundo os pesquisadores, a trajetória pessoal do jovem pode ter influenciado sua decisão de seguir carreira militar. Documentos históricos indicam que ele perdeu os pais antes dos 10 anos de idade.

Allison Peacock, presidente da FHD Forensics, afirmou que o exército provavelmente representava uma oportunidade de acesso a necessidades básicas, como alimentação e vestuário, além da perspectiva de um futuro melhor.

A Batalha de Camden é considerada uma das mais sangrentas da Guerra da Independência Americana. O confronto deixou cerca de 900 soldados americanos mortos ou feridos, além de aproximadamente mil combatentes capturados pelas tropas britânicas. Muitos dos mortos foram enterrados no próprio campo de batalha, transformando a área em um importante sítio histórico e cemitério militar.

Outras descobertas

Foi nesse local que arqueólogos localizaram, em 2020, os túmulos de 14 soldados na área do Campo de Batalha de Camden e da Reserva de Pinheiros Longleaf. As escavações completas ocorreram em 2022, após anos de pesquisas conduzidas por Steve Smith e James Legg, que estudam a região há quase três décadas.

As sepulturas apresentavam pouca profundidade, variando entre 30 e 35 centímetros, e continham alguns objetos pessoais dos combatentes. Os historiadores acreditam que prisioneiros de guerra tenham aberto rapidamente esses túmulos durante o verão da Carolina do Sul para reduzir o risco de propagação de doenças.

Para preservar os restos mortais, alguns esqueletos foram removidos ainda envoltos em blocos de terra, permitindo a realização de radiografias, análises odontológicas e testes genéticos.

Os estudos indicaram que boa parte dos soldados era bastante jovem. Metade deles tinha menos de 35 anos, enquanto dois combatentes tinham idade estimada entre 14 e 16 anos.

Entre os indivíduos identificados pelos pesquisadores estavam um integrante do 71º Regimento de Infantaria das Terras Altas da Escócia e um combatente nativo americano que, segundo as evidências, serviu nas forças britânicas. Os demais pertenciam ao Exército Continental e eram originários de Maryland ou Delaware.

Concluída a pesquisa científica, os 14 soldados receberam honras militares completas durante uma cerimônia de novo sepultamento realizada em abril de 2023, no Cemitério Presbiteriano Antigo de Camden. Cada um foi colocado em um caixão de pinho confeccionado sob medida e fechado com pregos forjados manualmente.

Para Steve Smith, a identificação de John Pumphrey ajuda a lembrar o impacto humano da Guerra da Independência e presta homenagem aos soldados que morreram durante o conflito.

James Legg afirmou que o sucesso da investigação abre caminho para que outros combatentes anônimos de Camden — e até mesmo de guerras posteriores, como a Guerra Civil — possam ter suas identidades recuperadas por meio de pesquisas baseadas em DNA.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.