Vaticano excomunga todos os membros do grupo ultraconservador SSPX
Papa Leão XIV determina excomunhão de grupo ultraconservador SSPX, ordenação de 4 bispos sem permissão foi motivo do cisma

Grupo ultraconservador SSPX (Sociedade de São Pio X) é excomungado por Papa Leão XIV, líder do Vaticano. Cisma foi causado por ordenação de 4 bispos sem a autorização papal.
Em comunicado nesta quinta-feira, 2 de julho, o Cardeal Víctor Manuel Fernández, que dirige o Dicastério da Santa Sé para a Doutrina da Fé, anunciou que o grupo SSPX tinha “cometido um ato de natureza cismática” que, sob o direito canônico, é punível com excomunhão automática.
O grupo formado por ultraconservadores homenageia o Papa Pio X, conhecido por ter sido um papa abertamente conservador e que regeu a Santa Sé na virada do século XIX para o século XX. O grupo foi fundado na aldeia suíça de Ecône em 1970, pelo arcebispo Marcel Lefebvre.
Mas o Vaticano foi além do esperado e disse que todos os sacerdotes da FSSPX e todos os católicos que “aderem formalmente” ao grupo estavam em cisma e excomungados. Um dos jornalistas que está cobrindo o caso na rede pública holandesa de rádio e TV disse:
O Vaticano espera que, ao ser duro com os bispos, os padres e fiéis, talvez alguns deles se arrependam e voltem à igreja mãe. Porque não é legal ser excomungado.”
O grupo ultraconservador SSPX
Acontece que antes da excomunhão, o Papa Leão XIV já havia tentado dar uma advertência ao grupo. Antes do evento de quarta-feira, de ordenação bispal ilegal, o Papa havia advertido para evitar um “ato cismático” e alertando que esse é um pecado “de extrema gravidade”.
Contudo, o grupo, que vê no Concílio do Vaticano II um ruído com o que a Igreja Católica realmente representa, disse que a ordenação dos bispos era “um dever sagrado” e que estes candidatos “são inteiramente fieis à tradição”.
Conforme o The Guardian, estima-se que 16.500 pessoas se reuniram em Ecône para ver a cerimônia. Inclusive, estava presente membros de partidos de extrema-direita como políticos do Forza Nuova, um partido político neofascista italiano, e do Futuro Nazionale, uma nova força de extrema-direita que disputa diretamente com Giorgia Meloni.
Embora o grupo seja dissidente, a comunidade SSPX tem quase 1.500 padres, seminaristas e outros membros vocacionais. E, recentemente, tem dado passos largos para atrair públicos internacionais através das redes. Em suma, cerca de 150.000-200.000 pessoas em todo o mundo, especialmente nos EUA, França e Argentina já foram cooptadas.
De acordo com o grupo, a Igreja Católica Romana não deveria dialogar com qualquer outra religião, e as missas ainda deveriam ser celebradas em latim. Andrea Vreede, correspondente do Vaticano, diz:
É um grupo muito menor, mas eles são muito barulhentos e muito da ultradireita”.
Conflitos anteriores
Esta excomunhão marca a primeira crise significativa dentro da Igreja comandada por Leão XIV. Uma vez que, desde que foi ordenado em maio do ano passado, o papa norte-americano se esforçou para manter a unidade da Igreja com grupos tradicionalistas, visto que, essas relações estavam frágeis durante o papado de Francisco.
Mas, segundo a comunidade cismática, as ordenações tinham de acontecer, mesmo sem autorização, pois só restavam 2 bispos envelhecidos no grupo. De acordo com o correspondente, o grupo tinha sentido mais esperança por Leão XIV usar vestes mais tradicionais em suas aparições.
Entretanto, com o passar do tempo notaram que os ensinamentos de Francisco se mantiveram em Leão. Nesse sentido, a ordem esperava que pudesse ganhar força com o ressurgimento da extrema direita no mundo. Vreede acrescentou:
O mundo está se voltando muito para o extremismo, e eles acham que podem florescer com isso,”.
No entanto, até mesmo o fundador do grupo já foi excomungado da Igreja Católica por algum tempo. Em 1988, o arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da sociedade, e quatro bispos que ordenaram sem a permissão do então papa, João Paulo II.
Porém, o conservador Papa Bento XVI levantou as excomunhões. Inclusive, dentre os excomungados estava Richard Williamson, bispo que negou abertamente o Holocausto. O jornalista correspondente do Vaticano disse:
Leo ficará muito infeliz com o que aconteceu, mas ele viu isso como inevitável, […] Aconteceu no passado e pode acontecer novamente. Incomoda mas não vai danificá-lo. Não é uma cisma muito importante e acho que as pessoas apreciarão sua coerência.”