Fóssil de milhões de anos revela origem das presas das aranhas
Espécime de 518 milhões de anos encontrado na China ajuda cientistas a compreender a evolução das estruturas que deram origem às quelíceras

Um fóssil de aproximadamente 518 milhões de anos está ajudando cientistas a compreender um dos primeiros capítulos da evolução dos aracnídeos. A partir da análise de um espécime conhecido como Urokodia, pesquisadores identificaram a evidência mais antiga já encontrada das quelíceras, estruturas que, ao longo de milhões de anos, deram origem às presas presentes em animais como aranhas, escorpiões e carrapatos.
Segundo informações publicadas pelo Correio Braziliense, a descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Leicester e da Universidade de Yunnan, que estudaram um fóssil encontrado no sítio paleontológico de Chengjiang, na China. O animal viveu em um antigo ambiente marinho e media entre dois e três centímetros de comprimento.
Estruturas ancestrais foram preservadas
Para investigar a anatomia do animal, os pesquisadores utilizaram tomografia de raios X, técnica que permitiu observar detalhes preservados no interior do fóssil sem causar danos ao espécime.
A análise revelou a presença de dois membros em forma de pinça localizados logo atrás dos olhos do Urokodia. Essas estruturas foram identificadas como a forma ancestral das quelíceras, consideradas fundamentais para a evolução dos quelicerados.
O estudo oferece uma nova perspectiva sobre o surgimento dessas estruturas especializadas, mostrando que elas já estavam presentes em ancestrais marinhos centenas de milhões de anos antes de alguns desses animais passarem a ocupar ambientes terrestres.
Animal também possuía estruturas respiratórias
Além das quelíceras primitivas, os pesquisadores identificaram outra característica importante na anatomia do Urokodia.
O fóssil preservou estruturas presentes nas pernas que funcionavam como “brânquias em livro”, responsáveis pelas trocas gasosas do animal. Segundo o estudo, essas estruturas apresentam semelhanças com as encontradas atualmente nos caranguejos-ferradura, organismos que pertencem à mesma linhagem evolutiva.
A preservação desses detalhes permitiu aos cientistas ampliar o conhecimento sobre a organização corporal dos primeiros representantes desse grupo e compreender melhor como diferentes adaptações surgiram ao longo da evolução.
Descoberta ajuda a preencher lacunas evolutivas
O Urokodia é considerado um ancestral distante dos quelicerados, grupo que atualmente reúne mais de 100 mil espécies distribuídas pelo planeta, incluindo aranhas, escorpiões e carrapatos.
A identificação das quelíceras em um animal tão antigo ajuda a preencher lacunas sobre os primeiros estágios da evolução desse grupo. Os resultados indicam que estruturas fundamentais para o sucesso desses animais surgiram ainda em ambientes marinhos, muito antes da colonização do ambiente terrestre.
Para os pesquisadores, o fóssil representa uma importante peça na reconstrução da história evolutiva dos quelicerados. Ao preservar detalhes anatômicos raros, o espécime oferece novas evidências sobre como essas estruturas especializadas se desenvolveram ao longo do tempo e contribuíram para a diversificação de um dos grupos de artrópodes mais numerosos da atualidade.
*Sob supervisão de Éric Moreira