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Espécie de tubatão que anda parcialmente fora d’água é descoberta na Oceania

Animal noturno de cerca de um metro foi identificado na Papua-Nova Guiné e se tornou a décima espécie conhecida de seu gênero

Chris Dudgeon com um tubarão que recebeu o nome dela - Foto: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast

Uma nova espécie de tubarão capaz de caminhar utilizando as nadadeiras e permanecer parcialmente fora d’água foi identificada por pesquisadores no sudeste da Papua-Nova Guiné. Batizado de tubarão-andante de Dudgeon (Hemiscyllium dudgeonae), o animal foi descrito em um artigo científico publicado nesta terça-feira, 16, na plataforma Zenodo.

A descoberta ocorreu durante uma expedição realizada por pesquisadores da Universidade de Sunshine Coast, na Austrália. A equipe trabalhava na Baía de Milne e em áreas costeiras rasas para avaliar a situação dos tubarões-epaulette (Hemiscyllium ocellatum), uma espécie considerada ameaçada de extinção.

O novo tubarão recebeu o nome em homenagem à pesquisadora Christine Dudgeon, responsável pelo primeiro registro do animal. Segundo ela, novas espécies de tubarão são descobertas com pouca frequência, tornando o reconhecimento ainda mais especial.

O exemplar encontrado tinha cerca de um metro de comprimento e foi capturado manualmente durante o mergulho realizado pelos cientistas, segundo a Revista Galileu.

Primeiro encontro chamou atenção dos pesquisadores

Jess Blakeway, doutoranda da UniSC, o Dr. Mark Erdmann e a Dra. Christine Dudgeon, pesquisadora sênior da UniSC, com o tubarão recém-descoberto – Foto: Nesha Ichida/Universidade de Sunshine Coast

Após o animal ser levado até a embarcação, a doutoranda Jess Blakeway foi uma das primeiras integrantes da equipe a examiná-lo. Ela percebeu imediatamente que o padrão de coloração era diferente de qualquer outra espécie com a qual já havia trabalhado anteriormente.

Entre as características observadas estavam marcas brancas distribuídas ao longo do corpo marrom do tubarão, algo que despertou a curiosidade dos pesquisadores.

Para realizar medições e coletar amostras de sangue e tecido, a equipe manteve o animal em um recipiente com água do mar fresca. Nas duas noites seguintes, os cientistas encontraram outros 11 indivíduos semelhantes na mesma região.

A confirmação de que se tratava de uma espécie inédita só veio após análises genéticas realizadas posteriormente na Austrália. Segundo Blakeway, esta é a primeira nova espécie oficialmente descrita para o gênero Hemiscyllium desde 2013.

O tubarão-andante de Dudgeon é conhecido localmente como kadedekedewa, expressão que pode ser traduzida como “tubarão-cão” ou “tubarão preguiçoso”. O apelido faz referência à forma lenta de locomoção do animal.

Descoberta muda entendimento sobre distribuição da espécie

H. Dudgeonae — Foto: Mark Erdmann/Universidade de Sunshine Coast

A descoberta também levou os pesquisadores a revisarem o conhecimento existente sobre a distribuição dos chamados tubarões-andadores na Papua-Nova Guiné.

Anteriormente, acreditava-se que cada espécie estivesse separada por barreiras naturais, como rios ou áreas de águas profundas. Agora, os cientistas sabem que as áreas de ocorrência no leste da Papua-Nova Guiné podem se sobrepor, embora as espécies não sejam encontradas ao mesmo tempo nos mesmos locais.

O Hemiscyllium dudgeonae tornou-se a décima espécie conhecida de seu gênero registrada na Papua-Nova Guiné. Segundo os pesquisadores, cinco espécies do grupo já são consideradas ameaçadas de extinção sob critérios relacionados à distribuição geográfica restrita estabelecidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Além da limitação de habitat, o novo tubarão enfrenta riscos associados à atividade pesqueira e às mudanças climáticas.

Os pesquisadores pretendem retornar à região em outubro para reunir mais informações sobre o estado de conservação da espécie. Os dados coletados deverão auxiliar futuras avaliações da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN.

A descoberta do tubarão-andante de Dudgeon amplia o conhecimento científico sobre a biodiversidade marinha da Papua-Nova Guiné e reforça a importância de monitorar espécies que vivem em habitats restritos e ainda pouco estudados.


*Sob supervisão de Éric Moreira