Centenas de espécies no país entram em lista de risco de extinção
Atualização do Ministério do Meio Ambiente inclui espécies de peixes e invertebrados aquáticos em risco de extermínio

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atualizou oficialmente a Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção para peixes e invertebrados aquáticos, incluindo espécies emblemáticas dos rios brasileiros, como a arraia-Xingu e o tambaqui. A nova relação foi publicada no Diário Oficial da União e marca a primeira grande revisão da lista desde 2014.
A atualização é resultado de um amplo processo conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, envolvendo pesquisadores, universidades e especialistas em biodiversidade entre 2022 e 2025. Segundo o governo federal, aproximadamente 15 mil espécies da fauna brasileira vêm sendo monitoradas em avaliações periódicas de risco de extinção.
A nova lista reconhece oficialmente 490 espécies aquáticas ameaçadas no Brasil, sendo 378 espécies de peixes e 112 de invertebrados aquáticos. Os animais são classificados em diferentes níveis de risco: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR).
Novas espécies na lista
Entre os casos que mais chamaram atenção está o do tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais conhecidos da Amazônia e amplamente consumido no país. A espécie sofre pressão intensa da pesca predatória, da destruição de habitats e das mudanças ambientais causadas pelo avanço humano sobre os rios amazônicos.
A arraia-Xingu também entrou na lista em meio às preocupações sobre os impactos ambientais provocados por barragens hidrelétricas, mineração e alterações no fluxo natural dos rios amazônicos. Especialistas apontam que espécies endêmicas — aquelas que existem apenas em determinadas regiões — são particularmente vulneráveis a mudanças bruscas no ecossistema.
Segundo os critérios utilizados pelo ICMBio, os animais são avaliados com base em fatores como redução populacional, fragmentação de habitat, pressão pesqueira, poluição e distribuição geográfica. A metodologia segue padrões internacionais inspirados nos protocolos da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).
Apesar das novas inclusões, pesquisadores destacam que a atualização também trouxe boas notícias. Cerca de 100 espécies foram retiradas da lista após demonstrarem melhora nos índices populacionais graças a projetos de conservação e monitoramento ambiental. Entre elas estão peixes ornamentais da Amazônia, como o acari-vampiro e o cascudo-onça.
A publicação da nova lista também tem efeitos práticos imediatos. Pela nova regulamentação, espécies ameaçadas passam a ter restrições severas para captura, transporte, armazenamento e comercialização, salvo em casos autorizados para pesquisa científica ou programas de conservação.