Fragmento lunar de 3,5 bilhões de anos indica impacto colossal na Lua
Meteorito encontrado no deserto do Saara contém pistas de um evento catastrófico que transformou a crosta lunar em magma no início do sistema solar

Um pequeno pedaço de rocha lunar encontrado no Noroeste da África está revelando segredos sobre o passado violento do nosso sistema solar. O meteorito, identificado como NWA 12593, traz evidências de uma colisão colossal ocorrida há cerca de 3,5 bilhões de anos.
O impacto foi tão poderoso que gerou calor suficiente para derreter a superfície da Lua, transformando-a em um vasto oceano de rocha fundida.
Calor extremo lunar
De acordo com Carolyn Crow, cientista planetária da Universidade do Colorado em Boulder e primeira autora da pesquisa, o evento deixou marcas químicas profundas na rocha. Conforme o estudo publicado na revista científica Geology, os pesquisadores encontraram vestígios de zircônia cúbica no fragmento.
Conforme o portal Live Science, esse mineral só se forma em temperaturas extremamente elevadas, o que comprova que a crosta lunar atingiu um estado de fusão após a batida do asteroide.
Rocha de impactos
O exemplar analisado é uma brecha lunar, um tipo de rocha formada pela união de diversos fragmentos após colisões. A estrutura do NWA 12593 registra três momentos distintos: o grande impacto que derreteu a superfície, uma colisão posterior que fragmentou e fundiu os materiais, e um evento final que lançou a rocha da Lua em direção à Terra.
Carolyn Crow explica que essas amostras funcionam como arquivos de um período que foi apagado da história geológica da Terra devido à erosão e às placas tectônicas:
A pergunta que frequentemente fazemos, mesmo retrocedendo ainda mais no tempo, é: qual era o registro de impactos quando a vida estava surgindo? Isso é importante para entendermos como a vida está se estabelecendo… O ritmo desses eventos catastróficos é uma parte importante da equação.
Conexão com vida
A descoberta é fundamental para entender a evolução do sistema solar interno. A data de 3,5 bilhões de anos coincide com o período em que a vida começou a surgir em nosso planeta.
Naquela época, o bombardeio de asteroides ainda era frequente, afetando não apenas a Lua, mas também a Terra e o asteroide Vesta. Entender a frequência desses desastres ajuda especialistas a reconstruir o ambiente em que os primeiros organismos terrestres tentavam evoluir.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes