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Brasil X Marrocos: estudo detalha a presença marroquina no país

Levantamento com mais de 228 mil testes genéticos aponta que parte da ancestralidade Do Brasil remete a Marrocos

Brasil Marrocos capa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

Adversários diretos na Copa do Mundo de 2026 e protagonistas no primeiro jogo do grupo C, Brasil e Marrocos estão separados por aproximadamente 7.800 quilômetros. No entanto, uma pesquisa genética indica que a conexão entre os dois povos vai além dos encontros em competições esportivas. Segundo um levantamento realizado pelo laboratório Genera, parte da ancestralidade da população brasileira remete ao Magrebe, região localizada no norte da África que inclui o território marroquino.

O estudo foi conduzido a partir de um banco de dados composto por mais de 228 mil amostras de brasileiros que realizaram testes genéticos de ancestralidade. De acordo com os resultados, 3,73% da ancestralidade nacional está associada ao norte da África.

Os dados analisados pelo Genera abrangem 228.421 exames realizados até 2025. A pesquisa identificou que essa parcela da herança genética brasileira está relacionada principalmente à história da colonização e da imigração portuguesa e espanhola, e não a fluxos migratórios diretos do Magrebe para o Brasil.

Brasil X Marroxos

Segundo o médico Ricardo di Lazzaro, fundador e líder do Genera, o DNA dos brasileiros registra movimentos migratórios que muitas vezes não aparecem nos relatos históricos tradicionais. Para ele, a presença de componentes genéticos ligados ao norte da África evidencia conexões construídas ao longo de séculos entre diferentes povos e regiões do mundo.

A explicação para essa herança genética remonta ao período entre os séculos VIII e XV, quando povos originários do norte da África e de religião islâmica, conhecidos pelos europeus como mouros, ocuparam extensas áreas da Península Ibérica. Durante os séculos de domínio na região, ocorreram processos de miscigenação que deixaram marcas biológicas duradouras nas populações de Portugal e Espanha.

Posteriormente, portugueses e espanhóis migraram em grande número para as Américas, levando consigo essa herança genética. Atualmente, essa ancestralidade pode ser identificada por meio de testes específicos voltados à análise das origens familiares.

Além da influência norte-africana, o levantamento mostra que a ancestralidade europeia continua sendo predominante entre os brasileiros que participaram do estudo. Segundo os resultados, 76% apresentam origem europeia, enquanto 9,5% possuem ancestralidade africana e quase 6% têm origem ameríndia. O percentual restante está associado a populações asiáticas.

Embora os dados não representem integralmente toda a população brasileira, a pesquisa reforça o elevado grau de miscigenação que caracteriza a formação genética do país e evidencia a diversidade de contribuições históricas presentes na composição do povo brasileiro.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.