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Broche raro revela influência romana na antiga Escócia

Peça de bronze decorada com esmalte colorido será exibida em uma exposição dedicada ao legado deixado pelo Império Romano no território escocês

O broche romano - Museus Nacionais da Escócia

Um pequeno broche de bronze encontrado próximo à vila de Pathhead, na Escócia, está ajudando pesquisadores a compreender melhor as relações entre os romanos e os povos que habitavam o norte da Grã-Bretanha durante a Antiguidade. Decorado com esmalte vermelho e amarelo e medindo menos de 6,35 centímetros de comprimento, o artefato foi descrito por especialistas como uma verdadeira “obra-prima em miniatura”.

De acordo com a revista Smithsonian, a descoberta foi feita por um detectorista há alguns anos e, em breve, a peça será exibida ao público pela primeira vez na exposição Scotland’s Roman Legacy: Life at the Edge of Empire (“Escócia Romana: Vida à Beira do Império”), organizada pelos Museus Nacionais da Escócia.

Segundo os pesquisadores, o broche foi produzido entre os anos 100 e 160 d.C. e originalmente possuía um revestimento de estanho que lhe conferia uma aparência prateada. Apesar de ter sido datado do período romano, seu formato e seus elementos decorativos também apresentam características associadas a tradições artísticas celtas mais antigas.

Uma obra-prima em miniatura

A curadora assistente Bethany Simpson com o broche Pathhead / Crédito: Museus Nacionais da Escócia

Para Fraser Hunter, curador principal de pré-história e arqueologia romana dos Museus Nacionais da Escócia, o artefato representa um exemplo notável da habilidade dos artesãos da época. Em comunicado divulgado pela instituição, ele descreveu o broche como uma “obra-prima em miniatura”, destacando a qualidade dos detalhes e do trabalho decorativo.

Os especialistas afirmam que peças sofisticadas como essa eram incomuns mesmo durante o período romano. Objetos desse tipo funcionavam não apenas como adornos, mas também como demonstrações de status social e prestígio entre as comunidades locais.

Segundo os pesquisadores, o modelo do broche se desenvolveu a partir de influências que chegaram ao norte da Grã-Bretanha durante a ocupação romana. Ao longo do tempo, artesãos da região adaptaram esses modelos, incorporando características próprias e criando peças que combinavam elementos romanos e tradições locais.

O avanço romano sobre a Escócia

Antes da chegada dos romanos, a Grã-Bretanha era habitada por diversos povos tribais. Nas áreas que hoje correspondem às Terras Altas da Escócia viviam grupos que mais tarde seriam chamados pelos romanos de caledônios.

A expansão do Império Romano na ilha começou em 43 d.C., quando o imperador Cláudio ordenou a invasão do sul da Grã-Bretanha. Décadas depois, os exércitos avançaram para o norte e iniciaram campanhas militares na Escócia.

De acordo com os Museus Nacionais da Escócia, os romanos ofereciam aos povos encontrados durante sua expansão uma escolha simples: integrar-se ao império ou enfrentar suas forças militares. Ainda assim, diversas tribos resistiram ao domínio romano, recorrendo a estratégias de guerrilha e dificultando o controle da região.

Apesar de sucessivas campanhas, Roma jamais conseguiu absorver completamente as terras escocesas. Os estudiosos continuam debatendo as razões para isso, considerando fatores como a resistência local, as características do terreno, as dificuldades logísticas e o custo das operações militares.

Um possível símbolo de prestígio

Curiosamente, o broche encontrado em Pathhead pode representar um aspecto menos conflituoso desse período histórico. Especialistas acreditam que o objeto talvez tenha sido entregue por um romano a um líder local, funcionando como um símbolo de prestígio e status.

Artefatos encontrados nas proximidades sugerem que a área era ocupada por um assentamento britânico da Idade do Ferro que mantinha algum tipo de interação com os romanos. Nesse contexto, o broche pode refletir relações de troca, influência cultural ou alianças estabelecidas entre diferentes grupos.

“Quem quer que tenha usado isso, certamente estava querendo impressionar”, afirmou Fraser Hunter.

Exposição destacará o legado romano

Altares romanos encontrados em um forte romano do século II em Inveresk / Crédito: Duncan McGlynn/Museus Nacionais da Escócia

O broche será um dos destaques da exposição Scotland’s Roman Legacy: Life at the Edge of Empire, que será realizada no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo, entre 14 de novembro de 2026 e 18 de abril de 2027.

Além da joia encontrada em Pathhead, a mostra apresentará descobertas provenientes de um forte romano do século 2 localizado em Inveresk. Entre os itens expostos estarão dois altares de pedra esculpidos que faziam parte de um templo dedicado ao deus Mitra, uma divindade persa adotada por alguns romanos.

Segundo os Museus Nacionais da Escócia, esses altares figuram entre os melhores exemplos de escultura da Grã-Bretanha romana já encontrados. Juntamente com o broche, eles ajudam a ilustrar a presença romana no extremo norte do império e as diversas formas de interação entre conquistadores e populações locais ao longo dos séculos.


*Sob supervisão de Éric Moreira