Inverteu o jogo? Aracnídeos estão caçando rãs nas florestas da América do Sul
Estudo indica que opiliões, animais da classe dos aracnídeos, estão atuando como predadores de pequenos vertebrados em florestas; entenda!

Recentemente, estudiosos da América Latina notaram que um dos parentes das aranhas e escorpiões, os opiliões (Phareicranaus sp), começaram a ser vistos com mais frequência caçando pequenos vertebrados nas florestas da América do Sul.
Porém, os aracnídeos de pernas longas não estavam se alimentando de animais mortos anteriormente. Conforme o estudo publicado na revista Ecology and Evolution, na verdade, contrariando o que os cientistas acreditavam, esses animais não estavam só comendo animais já mortos, mas sim imobilizando-os e os assassinando.
Luís Fernando García, biólogo da Universidade da República, no Uruguai, e coautor do estudo, disse ao Live Science:
Encontrar esses animais comendo rãs vivas foi uma surpresa completa. Não esperávamos que eles fossem capazes de capturá-las“.
O estudo sobre os aracnídeos
Primeiramente, vale destacar que esses animais pertencem à ordem dos Opiliones e evolutivamente são mais próximos dos escorpiões do que as aranhas — embora as longas e finas pernas aparentemente indiquem o contrário.
De qualquer maneira, até então, haviam poucos e esporádicos casos de opiliões caçando anfíbios. Contudo, os novos registros mostraram que em vários casos registrados as rãs estavam sendo comidas vivas. Ou seja, os opiliões estavam caçando e as matando, uma descoberta para a biologia.
Mas o que mais impressiona os cientistas é que esses aracnídeos não possuem veneno e sequer são conhecidos por sua velocidade. Assim, a teoria é que eles saem para caçar as rãs durante os períodos de repouso, confiando exclusivamente na força anatômica das suas pernas finas e longas.
Outra teoria é que os pedipalpos, pequenos apêndices alocados próximo a boca dos animais, sejam os responsáveis pelo agarrão e a contenção das presas. Conforme a revista Galileu, algumas das rãs observadas eram até 29% maiores que os predadores.
Nesse sentido, plataformas de ciência cidadã como o iNaturalist, aplicativo que usuários compartilham fotos do comportamento de espécies da natureza, foram essenciais para agregar nos registros dessas predações inovadoras.
O biólogo da conservação Olivier Pauwels, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, disse: “a disponibilidade de câmeras de boa qualidade em celulares ajudou enormemente no registro dessas interações”.
De todo modo, o estudo ainda está em andamento e os casos precisam ser mais investigados. Até o momento, casos nas florestas do Equador, Bolívia e no Brasil já foram notificados.
*Sob supervisão de Éric Moreira