Dois ‘escorpiões fake’ inéditos são encontrados escondidos em morcegos
Pesquisadores descobriram duas espécies inéditas de pseudoescorpiões que habitam os pelos de morcegos no leste da Austrália

Altamente conhecida por sua fauna curiosa, a Austrália tem um longo histórico de surpreender pesquisadores com espécies discretas e pouco estudadas. Foi durante suas pesquisas pelo país que o pesquisador local Mark Harvey encontrou não apenas um, mas dois exemplares de novos pseudoescorpiões.
A descoberta das espécies
Também apelidado de “escorpião fake”, o grupo faz parte do novo gênero Enigmachernes. Os dois novos representantes foram batizados como E. parnabyi e E. dissidens, segundo informações repercutidas pelo portal Metrópoles.
Foram identificados quatro machos adultos no estado de Victoria, no leste da Austrália. A análise dos exemplares foi conduzida por um pesquisador da Universidade da Austrália Ocidental e divulgada nesta sexta-feira, 5, na Revista Australiana de Zoologia.
Na pelagem de morcegos
As duas espécies foram registradas vivendo na pelagem de morcegos insetívoros. E. parnabyi surgiu entre os pelos do falso pipistrelle oriental (Falsistrellus tasmaniensis), enquanto E. dissidens foi identificado no morcego-da-floresta-do-sul (Vespadelus regulus)
Depois de removidos cuidadosamente dos animais, os aracnídeos foram examinados com o auxílio de microscópios. Apesar da descoberta ampliar o conhecimento sobre o gênero, ainda não há informações sobre o estado de conservação dessas espécies, já que isso depende do grau de dependência que mantêm de seus hospedeiros.
O artigo aponta que, caso cada pseudoescorpião seja restrito a um único tipo de morcego, sua sobrevivência pode estar diretamente relacionada à preservação dessas populações.
Como vivem esses animais
Os pseudoescorpiões possuem pinças semelhantes às de um escorpião, mas não apresentam cauda alongada nem ferrão. Integram o grupo dos aracnídeos e, apesar da aparência, não representam risco.
Esses pequenos animais costumam utilizar outros organismos como meio de transporte, já que não têm asas. Enquanto se deslocam, podem alimentar-se de pragas presentes no corpo do hospedeiro, como ácaros e larvas, em um comportamento conhecido como foresia.
Quando chegam ao destino desejado, desprendem-se e seguem sua vida até encontrarem outro animal que possa ajudá-los a percorrer novas distâncias. Mesmo sendo comuns em ecossistemas ao redor do mundo, espécies inéditas de pseudoescorpiões raramente são encontradas, principalmente por causa do tamanho reduzido e do hábito de viverem ocultas no corpo de outros animais.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli