Inseto que viveu há 100 milhões de anos é nomeado em homenagem a grupo de K-pop
Fóssil de percevejo encontrado em Myanmar revela espécie que viveu há 100 milhões de anos, e foi nomeado em homenagem a grupo de K-pop

Pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU), na Alemanha, identificaram uma espécie até então desconhecida de percevejo que viveu há cerca de 100 milhões de anos. O animal foi encontrado preservado em âmbar da região de Kachin, em Myanmar, e se destacou por apresentar grandes garras nas patas dianteiras, uma característica extremamente rara entre insetos.
A descoberta foi descrita em um estudo publicado em 17 de abril na revista científica Insects. Segundo os autores, o fóssil pertence ao grupo dos percevejos verdadeiros, conhecido cientificamente como Heteroptera, e possui estruturas chamadas quelas, semelhantes a pinças.
De acordo com a zoóloga Carolin Haug, da Faculdade de Biologia da LMU, esse tipo de adaptação havia sido registrado anteriormente em apenas três grupos de insetos. Com o novo achado, os cientistas identificaram o quarto caso conhecido de evolução independente dessas estruturas dentro do grupo.
Estudos do fóssil
Para examinar o fóssil em detalhes, a equipe trabalhou em colaboração com pesquisadores da Universidade de Rostock, na Alemanha, e da Universidade de Oulu, na Finlândia. Os cientistas utilizaram microtomografia computadorizada, técnica que permitiu visualizar tridimensionalmente todas as estruturas preservadas no espécime.
Além disso, foi realizada uma análise quantitativa envolvendo mais de 2 mil garras e outras estruturas preênseis encontradas em espécies atuais e extintas. Essas estruturas correspondem a partes do corpo adaptadas para segurar, capturar ou manipular objetos e presas.
Os resultados mostraram que as garras do novo inseto apresentam diferenças significativas em relação às observadas em outros grupos de insetos. Em contrapartida, formas semelhantes podem ser encontradas em artrópodes mais distantes, como caranguejos, lagostas, camarões e tanaidáceos, pequenos crustáceos semelhantes a camarões.
Em razão dessa característica incomum, os pesquisadores criaram um novo gênero para classificar o animal, denominado Carcinonepa. O nome combina um termo grego latinizado relacionado a “caranguejo”, “carcino-”, com “nepa”, referência ao grupo dos percevejos aquáticos conhecido como Nepomorpha.

Homenagem a grupo de K-pop
A nova espécie recebeu o nome “Carcinonepa libererrantes”, em uma homenagem inusitada ao grupo sul-coreano de K-pop Stray Kids. Segundo Carolin Haug, a escolha foi inspirada pela semelhança entre a posição das quelas do fóssil e uma pose característica dos integrantes da banda.
“O nome pareceu apropriado porque a posição das quelas do fóssil se assemelha muito à pose característica do grupo. Aliás, devo acrescentar que Stray Kids é a banda favorita de uma das autoras do artigo, Fenja Haug”, disse a zoóloga, em comunicado.
As análises indicam que o inseto fazia parte dos chamados percevejos-d’água verdadeiros, integrantes do grupo Nepomorpha. Apesar das garras diferenciadas, a morfologia geral do corpo apresenta semelhanças com espécies atuais da família Gelastocoridae, formada por predadores terrestres. “A morfologia de C. libererrantes sugere que essa espécie tinha um estilo de vida semelhante”, observa Haug.
Com base nas características preservadas no fóssil, os pesquisadores acreditam que o animal viveu em uma floresta costeira durante o período Cretáceo. As grandes garras localizadas nas patas dianteiras provavelmente eram utilizadas para capturar pequenos insetos, repercute a Revista Galileu.
Além da curiosa homenagem à cultura pop, a descoberta oferece novas informações sobre a evolução de estruturas especializadas para a captura de presas. Segundo os autores, o fóssil ajuda a compreender como diferentes grupos de animais desenvolveram adaptações semelhantes ao longo de milhões de anos, mesmo seguindo trajetórias evolutivas independentes.