Justiça ordena resgate urgente de Fordlândia após décadas de abandono
Sentença histórica obriga União, Estado e município a recuperarem vila fundada por Henry Ford no Pará, sob pena de multas diárias por omissão

A Justiça Federal emitiu uma sentença histórica que obriga a União, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o governo do Pará e a prefeitura de Aveiro a iniciarem o restauro imediato do distrito de Fordlândia.
A decisão, que atende a pedidos do Ministério Público Federal, estabelece responsabilidade solidária para conter a degradação do sítio histórico. O local sofre há décadas com o abandono estatal e o desmantelo de seu acervo arquitetônico.
Sonho industrial esquecido
Fundado em 1928 pelo industrial norte-americano Henry Ford para quebrar o monopólio europeu sobre o látex, o distrito buscou implantar uma cidade com padrões dos Estados Unidos em plena selva amazônica.
Conforme o Diário do Pará, o projeto original contava com hospital, cinema, escolas e vilas planejadas, mas foi encerrado definitivamente em 1945 e devolvido ao controle brasileiro. Desde então, as estruturas históricas entraram em um processo severo de deterioração e esquecimento público.
Obras em prédios críticos
A determinação judicial prevê a recuperação de marcos simbólicos como o antigo Hospital de Fordlândia, atualmente em ruínas, e o Cine Patinha, que teve sua cobertura colapsada recentemente.
O plano de obras abrange também os galpões industriais, o Armazém do Porto, a Escola Henry Ford e as casas da Vila Americana. Além disso, a icônica torre de água de 50 metros, trazida de Michigan, permanece como o marco visual que exige preservação urgente por parte do poder público.
O cronograma judicial estabelecido é rígido e exige um diagnóstico atualizado do estado de conservação em até 90 dias. Em 180 dias, os governos devem apresentar um plano detalhado de recuperação, com previsão de início das obras em 30 dias após a homologação.
Caso os prazos sejam ignorados, a União e o instituto de patrimônio enfrentam multas diárias de dez mil reais, enquanto o estado e o município podem ser multados em cinco mil reais por dia.
Patrimônio além da burocracia
Conforme o Ministério Público Federal, o valor cultural do sítio independe de registros burocráticos, sendo um dever constitucional comum proteger esse legado industrial. A decisão também exige a regularização das terras em 120 dias pela Superintendência do Patrimônio da União.
O objetivo é integrar os atuais moradores ao processo de revitalização, garantindo que as futuras gerações tenham acesso ao capítulo singular da história industrial e amazônica que Fordlândia representa mundialmente.
Sob supervisão de Giovanna Gomes