Cientistas descobrem o que são os ‘vozes’ assombrosas do fundo do mar
Biólogos rastreiam conversas de baleias jubarte e apontam que as vozes podem prevenir acidentes marítimos e ajudar a falar com extraterrestres

Para aqueles que têm o costume de pescar na costa ou em navios em alto mar, se prestar bem atenção, conseguirá ouvir “vozes” bizarras ecoando das profundezas do oceano. Nesse sentido, pescadores, guardiões de faróis e navegadores do Alasca relatam que os sons são comuns.
Mas ao invés de um ser ancestral que adormece sob os mares congelados, biólogos rastrearam que esse som, na verdade, era a conversa de baleias jubarte. Dessa forma, os cientistas constataram que o vocabulário das gigantes dos mares é muito maior do que se pensava.
O rastreio das “vozes”
Fred Sharpe, da Fundação Baleia do Alasca, montou microfones altamente sensíveis para sintonizar e capturar os misteriosos ruídos do oceano. Enquanto montavam os equipamentos, membros da comunidade costeira do Alasca os ajudavam mostrando localizações em que dava pra ouvir melhor os ruídos subaquáticos.
Diferente de todos os estudos até então gravados, os pesquisadores capturaram uma frequência ainda mais baixa nas vozes do oceano, de forma que soa parecido com trovões à distância. Não obstante, ruídos como uivos e pios também foram identificados.
Conforme os pesquisadores, as “vozes” das baleias podiam ser ouvidas a até 10 km de distância. Assim, com essas descobertas, Sharpe apresentou as descobertas na Conferência de Ciências da Astrobiologia, em Madison, Wisconsin, no dia 18 de maio.
Nesta conferência, relatou que uma das suas descobertas foi que as jubarte só conseguem emanar esses sons de tão baixa frequência por conta de estruturas especiais nos canais respiratórios das baleias que impedem a entrada da água nas cordas vocais quando mergulham.
Conforme o The Guardian, na conferência, o biólogo destacou que compreender essas formas de comunicação das jubarte pode evitar que baleias fossem atingidas por navios, ao mesmo tempo que poderiam nos ajudar ensinando como superarmos nossos limites comunicativos e construímos sistemas para procurar vida extraterrestre inteligente.
De todo modo, o estudo de Sharpe ainda espera por revisão dos pares. Mas por agora, podemos imaginar os avanços na comunicação terrestre através das estranhas vozes das gigantes do oceano.
*Sob supervisão de Éric Moreira