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Resíduos de forja revelam ‘indústria do ferro’ de Alexandre, o Grande

Minerais descartados durante os processos da forja do ferro revelam indústria escondida após a queda de Alexandre, o Grande. Entenda como:

Representação de Alexandre, o Grande e fotografia do sítio arqueológico da indústria de ferro
Representação de Alexandre, o Grande e fotografia do sítio arqueológico da indústria de ferro - Créditos: Getty Images e Divulgação/Palaiokrassa-Kopitsa 2012

Durante o processo de fabricação do ferro são empregadas diversas formas de purificação do metal. Assim é produzida a escória, material tipicamente residual. Pesquisadores descobriram, através da escória, uma “indústria de ferro” ativa durante o império de Alexandre, o Grande.

Para além da clara ligação etimológica com o significado atual de escória, o material foi responsável por mostrar para arqueólogos e historiadores como a região foi responsável por abastecer o Império Macedônico, e assim contar um pouco mais sobre a história de um dos maiores impérios do mundo.

A descoberta do lixo

Diferente de muitos estudos clássicos em que inscrições, espadas, coroas e outros materiais de luxo eram o centro da descoberta histórica, a escória sempre foi tratada como o lixo dos materiais. Os dejetos de uma forja funcional.

Porém, um novo estudo arqueometalúrgico do material de Paleópolis, antiga capital de Andros, nas Cíclades, revelou uma indústria de ferro entre os séculos 4 e 3 antes de Cristo. Conforme os arqueólogos, a região era responsável por suprir parte das necessidades práticas de ferro do mundo helenístico.

Inclusive, vale destacar que a região em que os materiais foram encontrados pertencia à uma área chamada Skouria, nome ligado ao Grego para a palavra para escória. Dessa forma fica explícita a origem da palavra que chegou até hoje no português.

De qualquer forma, na região foram encontrados grandes resquícios de materiais metalúrgicos durante o tempo de dominação macedônica. Característica que indica que as altas estruturas exigiam essa produção e que quando Alexandre, o Grande, caiu não tinha mais tanto mercado consumidor.

A pesquisa

Conforme a revista Arkeonews, as escavações foram comandadas pela arqueóloga Lydia Palaiokrassa-Kopitsa. Assim, foram descobertas lareiras metalúrgicas com poços de fundição, camadas de tijolos de barro queimados, carvão, escória, partículas de ferro e bronze, fragmentos de chumbo e até moldes de argila.

Porém, como já revelado, as escórias podem proporcionar uma vastidão de informações, por isso a equipe analisou 22 amostras do material encontrado em Paleópolis. Inclusive, utilizando microscopia eletrônica, difração e fluorescência de raios X  identificaram os minerais e oligoelementos preservados nas escórias.

Nesses minerais preservados, foi possível identificar que a principal extração da região era a do ferro. Entretanto, além das análises químicas, os cientistas puderam ver mecanicamente as alterações do mineral. Ou seja, descobriram uma janela para enxergar as ferramentas, acessórios e técnicas da época.

Contudo, o que mais chamou atenção dos historiadores envolvidos na pesquisa é a temporalidade específica dos resquícios. Após a morte de Alexandre em 323 a.C. A produção diminuiu drasticamente. Característica que pode significar que a atividade metalúrgica está relacionada diretamente com o clima político e militar.

O ferro era material central para a concentração do poder, por isso, o momento de extração máxima do mineral da região pode indicar altos índices de concentração econômica e bélica. 

De toda forma, a região nos dá dicas do quão conectado era o Império Macedônico e a dependência das regiões que dominava. Além disso, fica claro como, muitas vezes, o passado pode morar no lixo do tempo passado.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: