Amostras de DNA confirmam quatro membros da Expedição Franklin

As amostras de DNA foram essenciais para ajudar pesquisadores a identificar quem eram os quatro membros da Expedição Franklin de 1845

Arqueólogo identificando restos mortais - Créditos: Universidade de Waterloo

Cientistas revelaram que através de amostras de DNA foi possível identificar os quatro membros da Expedição Franklin, incluindo um que foi achado a 130 quilômetros dos demais.

A Expedição foi uma viagem de exploração no Ártico, que não teve sucesso, e resultou na morte de Sir Franklin e toda sua tripulação. Os dois navios da expedição ficaram presos no gelo, obrigando cerca de 105 homens a caminhar perto da Ilha King William, no Canadá.

As amostras de DNA, coletadas pelos pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, foram comparadas com os descendentes vivos conhecidos dos tripulantes. Com isso, quatro correspondências exatas foram reveladas.

Segundo informações do Daily Mail, os três primeiros tripulantes do navio HMS Eberus eram: William Orren, David Young e John Bridgens. O quarto tripulante, que foi encontrado a 130 quilômetros de distância era, na verdade, capitão do navio HMS Terror, identificado como Harry Peglar.

Em um novo estudo, os pesquisadores extraíram DNA mitocondrial e do cromossomo Y dos restos mortais encontrados. Quando comparado com os descendentes vivos, foi revelado correspondências com uma distância genética zero, forte prova de que são parentes.

Anteriormente, dois tripulantes foram identificados por cientistas: o capitão James Fitzjames e o engenheiro John Gregory.

O Dr. Douglas Stenton, principal pesquisador do estudo, revelou ao Daily Mail que essa descoberta levanta a possibilidade intrigante de que os botes dos dois navios nesses locais podem ter vindo do HMS Erebeus.

O autor e seus colegas identificaram o tripulante que estava a 130 quilômetros de distância e ele foi o único tripulante confirmado do HMS Terror. “Peglar pode ter estado sozinho por ter se perdido ou talvez por ter ficado para trás e não ter sido notado, mas isso é apenas suposição”.

Em 1859, encontraram em corpo segurando documentos pessoais de Peglar, mas pelas suas vestimentas foi possível identificar que o corpo não pertencia ao capitão do HMS Terror.

“Foi interessante identificar conclusivamente este marinheiro, pois o corpo foi encontrado junto com praticamente todos os documentos escritos da expedição já encontrados”, disse o coautor Dr. Robert Park.

Expedição

A Expedição Franklin tinha como objetivo encontrar uma rota marítima navegável entre o oceano Pacífico e Atlântico, conhecida como Passagem Noroeste.

Em maio de 1845, os dois navios de Sir Franklin partiram de Londres. Os navios eram abastecidos com uma quantidade de comida para sete anos, além de sistema de aquecimento central e, para entreter a tripulação, 1.000 cópias da revista Punch.

Os navios ficaram presos no gelo apenas dois anos após sua partida e a tripulação se viu obrigada a partir andando. Franklin ordenou que os 105 membros da expedição tentassem atravessar a Ilha do Rei William, mas a tentativa não teve sucesso e todos morreram.

Dois locais, onde pelo menos 21 tripulantes morreram, foram encontrados por arqueólogos. Apesar disso, suas identidades e causa de morte seguem sem resposta.

Canibalismo

Além das identificações, os pesquisadores conseguiram confirmar que nenhum dos quatro tripulantes encontrados foram vítimas de canibalismo.

Os relatos de canibalismo entre a tripulação da Expedição Franklin começaram pelos inuítes, nativos da Ilha do Rei William.

Em 1997, a bioarqueólpga, Dra. Anne Keenleyside, encontrou marcas de corte em muitos ossos em um sítio funerário, evidenciando que os membros foram massacrados após morrerem.

Além disso, descobriram que a mandíbula do capitão Fitzjames apresentava sinais de um massacre cometido por seus companheiros de expedição. O motivo permanece desconhecido, mas há certeza de que nenhum dos tripulantes recém-identificados apresentam marcas que indiquem canibalismo.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes