Palestra em SP revisita fatos e versões e personagens da Inconfidência Mineira
Palestra com a pesquisadora Guiomar de Grammont propõe revisão histórica da Inconfidência Mineira, abordando narrativas, personagens e conexões com o contexto do século 18

A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano promove neste sábado, 25, em São Paulo, a palestra “Inconfidência mineira: fatos e versões”, ministrada pela escritora e professora Guiomar de Grammont. O evento ocorre das 11h às 13h e integra a programação que marca o bicentenário da morte de D. João VI e os 234 anos da Inconfidência Mineira, realizada em 21 de abril de 1792.
A iniciativa propõe revisitar um dos episódios mais emblemáticos da história brasileira, também conhecido como Conjuração Mineira, frequentemente apontado como uma das primeiras tentativas de independência do país. A partir de uma abordagem que combina história e literatura, a palestra convida o público a mergulhar no contexto da Vila Rica do século 18 — atual Ouro Preto, em Minas Gerais —, explorando personagens, narrativas e produções culturais associadas ao período.
Para construir esse panorama, a apresentação se apoia em obras de autores ligados ao movimento, como os poetas inconfidentes Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, além do “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles. A proposta é analisar como essas produções contribuíram para moldar a memória histórica e o imaginário em torno da Inconfidência Mineira ao longo do tempo.
Um dos pontos centrais da discussão envolve a construção simbólica de Tiradentes como herói nacional. Segundo Guiomar de Grammont, essa imagem foi consolidada em um contexto político específico: “A construção da imagem de Tiradentes como herói nacional — muitas vezes associada à figura de Cristo — ganhou força a partir da década de 1930, durante a Era Vargas, quando havia a necessidade de criar símbolos que reforçassem a unidade nacional. No entanto, interpretações historiográficas mais recentes apontam que Tiradentes pode ter sido utilizado como bode expiatório: sua condenação à morte não ocorreu por ser o principal líder do movimento, mas por não pertencer à elite de Vila Rica.”

Outro aspecto abordado na palestra é a revisão da ideia de que a Inconfidência Mineira teria sido um evento isolado. A análise apresentada considera o movimento dentro de um cenário mais amplo de circulação de ideias no século 18. Nesse sentido, a especialista destaca: “O historiador Kenneth Maxwell argumenta que o movimento fazia parte de um contexto mais amplo de circulação de ideias liberalistas no século 18, conectadas a transformações globais como as revoluções americana e francesa, com foco no fim do monopólio colonial e na abertura comercial. Assim, o estudo da Inconfidência pode contribuir para refletir sobre processos de emancipação e maior autonomia do Brasil no cenário internacional contemporâneo.”
A palestra faz parte de uma série dedicada à história do Brasil promovida pela instituição e reforça o objetivo de ampliar o debate sobre momentos-chave da formação do país. Ao revisitar fatos e interpretações, o evento busca oferecer ao público uma visão mais abrangente sobre a Inconfidência Mineira, destacando suas múltiplas leituras e desdobramentos ao longo do tempo.
Mais detalhes
A palestra “Inconfidência mineira: fatos e versões” será realizada na sede da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, localizada na Avenida Morumbi, número 4077, em São Paulo, no sábado, 25 de abril, das 11h às 13h.
Os ingressos estão disponíveis para compra online por R$ 100 (mais R$ 10 de taxa) pelo Sympla, através deste link. Para mais informações, acesse: https://www.fundacaooscaramericano.org.br/ ou entre em contato pelo telefone (11) 3742-0077.