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Intestino pode indicar risco de Parkinson antes dos sintomas

Pesquisa identifica “assinatura” de bactérias no intestino que pode permitir diagnóstico precoce e abrir caminho para prevenção da doença

intestino capa
Imagem meramente ilustrativa

Uma nova pesquisa científica trouxe evidências robustas de que o microbioma intestinal — o conjunto de microrganismos que vivem no trato digestivo — pode revelar o risco de desenvolvimento da doença de Parkinson muito antes do surgimento dos primeiros sintomas. A descoberta reforça a crescente percepção de que o intestino desempenha um papel central em condições neurológicas.

O estudo, conduzido por pesquisadores da University College London e publicado na revista científica Nature Medicine, analisou dados de centenas de participantes, incluindo pessoas diagnosticadas com Parkinson, indivíduos com predisposição genética e voluntários saudáveis. Os cientistas identificaram uma “assinatura microbiana” específica — um padrão distinto na composição das bactérias intestinais — associada à doença.

O dado mais relevante é que essa assinatura não aparece apenas em pacientes já diagnosticados, mas também em pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas possuem maior risco genético. Isso sugere que alterações no microbioma podem surgir anos — ou até décadas — antes das manifestações clínicas da doença.

Sinais no intestino

Segundo os pesquisadores, a intensidade dessas alterações parece aumentar conforme o Parkinson progride, o que pode transformar o microbioma em uma ferramenta não apenas de detecção precoce, mas também de monitoramento da doença ao longo do tempo.

A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo que afeta milhões de pessoas no mundo, causando sintomas como tremores, rigidez muscular e dificuldades motoras. Tradicionalmente associada ao cérebro, ela tem sido cada vez mais estudada sob a ótica do chamado “eixo intestino-cérebro”, que investiga como o sistema digestivo influencia funções neurológicas.

Uma das hipóteses levantadas é que o microbioma possa interferir na produção e no acúmulo da proteína alfa-sinucleína, ligada à degeneração dos neurônios. Alterações nessas bactérias poderiam desencadear processos inflamatórios ou metabólicos que contribuem para o avanço da doença.

Além da identificação do risco, o estudo também aponta possíveis caminhos para prevenção. Os dados indicam que pessoas com dietas mais equilibradas — ricas em fibras, frutas e vegetais — tendem a apresentar um microbioma menos associado ao Parkinson. Isso abre a possibilidade de intervenções baseadas em alimentação ou terapias que modifiquem a flora intestinal.

Apesar do entusiasmo, os cientistas destacam que ainda não é possível afirmar uma relação de causa e efeito. Ou seja, não se sabe se as alterações no microbioma provocam a doença ou se são consequência de outros processos biológicos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.