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Aquíferos glaciais de 12 mil anos podem atuuar contra o Parkinson

Estudos sugerem que as águas dos aquíferos de 12 mil anos pode proteger do Parkinson e que águas subterrâneas mais antigas permanecem mais protegidas

Imagem Ilustrativa - Créditos: Getty Images

Os estudos sugerem que a água de aquíferos glaciais consumida pela população pode estar associada ao risco de desenvolver Parkinson.

A pesquisa, publicada na Reunião Anual da American Academy of Neurology, analisou dados de 12.370 pessoas diagnosticadas com Parkinson e mais de 1,2 milhão de pessoas que não possuem a doença. O estudo revelou que a idade da água subterrânea consumida por uma população pode ser um dos fatores de risco para desenvolver Parkinson. 

Todas as pessoas analisadas residiam até 4,8 quilômetros de um dos 1.279 pontos de coleta de amostras de água subterrânea distribuídos em 21 grandes aquíferos do Arizona, estado dos Estados Unidos.

A idade da água não foi o único critério de avaliação, o tipo de aquífero também foi analisado pelos cientistas, a fonte da água potável e possíveis indícios de contaminação ambiental. 

Idade da água subterrânea

Brittany Krzyzanowski, do Atria Research Institute, contou em um comunicado que a idade da água pode indicar o seu nível de exposição a poluentes modernos e destacou que as mais recentes, formadas nos últimos 70 a 75 anos, foram expostas a mais contaminantes ambientais e as água subterrâneas mais velhas são mais profundas e permanecem mais protegidas de poluentes da superfície.

A causa do Parkinson, distúrbio neurodegenerativo que afeta o controle dos movimentos e causa tremores, tem sido cada vez mais associada à exposição a determinados poluentes ambientais. 

Nos aquíferos analisados, os que mais apresentaram associação com a doença foram os aquíferos carbonáticos, que são formados por rochas calcárias e comuns na região do Centro-Oeste, Sul e da Flórida. Os aquíferos glaciais, que são mais antigos, apresentaram uma concentração menor de poluentes e se mostraram menos associados à doença neurológica.

No grupo de pacientes de Parkinson, 3.463 obtinham água potável de aquíferos carbonáticos, 515 de aquíferos glaciais e 8.392 de outros tipos de reservatório. Entre o grupo saudável, 300.264 consumiam de aquíferos carbonáticos, 62.917 de glaciais e 860.993 de outras formações geológicas, repercutiu a revista Galileu.

Juntando os dados, os pesquisadores observaram que pessoas que consumiam águas de aquíferos carbonáticos apresentavam um risco de 24% maior de desenvolver Parkinson em comparação com pessoas que se abasteciam de outros tipos. Quando comparadas com populações que consumiam águas de aquíferos glaciais, o risco de desenvolver a doença foi 62% superior.

Para os cientistas, a água potável pode ser usada como um indicador indireto da exposição humana à poluição moderna. De acordo com Krzyzanowski, nos aquíferos glaciais, a movimentação mais lenta da água pode permitir que sedimentos e camadas naturais funcionem como filtros.

Os autores deixam claro que a pesquisa não comprova uma relação direta entre os fatores poluentes e o desenvolvimento da doença. Ela é apenas um meio de associação entre estatísticas e fatores. 

Os pesquisadores também contaram que os moradores que vivem em um raio de até 4,8 quilômetros compartilham o mesmo método de abastecimento, o que provavelmente não reflete a realidade.