‘Múmia’ de réptil dá respostas da evolução fora d’água
Fósseis incrivelmente preservados de réptil pré-histórico dão indícios da formação dos pulmões ao longo da evolução fora da água

Recentes escavações em Oklahoma, nos Estados Unidos, evidenciaram fósseis de um réptil ancestral. Segundo os cientistas, foi possível recriar sua composição e entender a evolução do pulmão dessas criaturas.
Ainda, O Captorhinus, pequeno lagarto viveu entre 289 e 286 milhões de anos, pode ajudar a entender como os animais amniotas, que nascem cercados de líquido amniótico, abandonaram os mares e dominaram a terra.
A escavação
Conforme o artigo publicado, neste dia 8, na revista Nature, os fósseis, devido às condições naturais do ambiente, estão impressionantemente conservados, com maior destaque para a região torácica do animal.
A infiltração de petróleo, lama desoxigenada e água subterrânea no cadáver possibilitou que parte das ossadas fosse encontrada na posição em que estava o animal falecido. Ou seja, um quebra-cabeça 3D praticamente resolvido.
Assim, nessas condições, em que a equipe encontrou o fóssil no sistema de cavernas próximas ao sítio fossilífero de Richards Spur, se torna possível compreender como era a caixa torácica desse animal.
As projeções
Dessa forma, diante da sensibilidade desse fóssil, foi necessária a realização de tomografias computadorizadas. A fim de explicação, foram lançados feixes de nêutrons para reconstruir as estruturas internas do animal.
Em um comunicado à Phys, Ethan Mooney, um dos autores do estudo, explicou:
Comecei a ver todas essas estruturas envolvendo os ossos e elas eram muito finas e texturizadas. E eis que havia uma bela camada de pele envolvendo o torso desse animal. A pele escamosa tem uma textura maravilhosa, semelhante a um acordeão, com faixas concêntricas cobrindo grande parte do corpo, do torso até o pescoço”
Conforme a Galileu, a descoberta do funcionamento interno do animal nos explica as musculaturas adaptadas para a expansão e compressão dos pulmões nos animais. Afinal, um pulmão que consegue captar mais ar e expulsar mais gás carbônico, consegue realizar mais respiração celular.
Sintetizando, com essa musculatura foi possível paulatinamente deixar de lado a respiração cutânea típica das minhocas, sapos e platelmintos que dependia da umidade. Ou seja, esse novo estudo demonstra os primeiros passos dos répteis em direção ao domínio da terra.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes