Réptil primitivo começava a vida quadrúpede e se tornava bípede com o tempo
Cientistas identificaram um réptil primitivo que era quadrúpede no início da vida e, com o passar do tempo, se tornava bípede; confira!

Há cerca de 215 milhões de anos, um réptil de órbitas oculares grandes, bico sem dentes e braços curtos vagava pelo Arizona. Esse réptil ancestral se locomovia sobre quatro patas durante a fase inicial de sua vida, mas à medida que crescia, passava a andar sobre duas pernas.
Os ossos dessa estranha criatura foram descobertos por cientistas, que o identificaram como uma nova espécie e um novo gênero. No estudo publicado em 8 de março no Journal of Vertebrate Paleontology, eles descrevem o Sonselasuchus cedrus.
Durante escavações em um sítio arqueológico no Parque Nacional da Floresta Petrificada, no Arizona, pesquisadores desenterraram mais de 950 ossos de S. cedrus e esses restos mortais pertenciam a pelo menos 36 indivíduos de diferentes idades.
Ao comparar os ossos dos indivíduos mais novos e mais velhos, os pesquisadores observaram evidências de que a espécie passou por uma transição fisiológica durante seu amadurecimento. Nos ossos juvenis, os membros anteriores e posteriores possuíam tamanhos similares. Nos indivíduos mais velhos, os ossos dos posteriores eram maiores e mais robustos que os membros anteriores. O paleontólogo e autor principal, Elliott Armour Smith, revelou que os membros anteriores começavam com 75% do comprimento e acabavam com 50%.
Isso indica que a espécie passou da locomoção quadrúpede para a bípede à medida que crescia.
Embora rara no reino animal, os S. cedrus não foram os únicos a apresentarem essa evolução na locomoção. Pelos menos outras duas espécies de dinossauros também passaram por esse mesmo processo: os Psittacosaurus lujiatunensis e Mussaurus patagonicus.
Os pesquisadores acreditam que a capacidade de andar ereto pode ter beneficiado algumas espécies, incluindo os humanos. Por exemplo, a locomoção bípede permitia que os ancestrais usassem ferramentas e percorressem distâncias mais longas, repercutiu a Smithsonian Magazine.
Sonselasuchus cedrus
A paleontóloga Michelle Stocker disse à New Scientist que os S. cedrus pertencem a uma família extinta de répteis conhecida como shuvosaurídeos e que eles eram criaturas estranhas que viveram durante o Triássico Superior.
Mesmo não parecendo com os crocodilos modernos, os shuvosaurídeos eram seus parentes primitivos. Eles se assemelhavam mais aos ornitomimídeos, família de dinossauros semelhantes a avestruzes que habitaram a Terra a cerca de 100 milhões de anos.
Os autores do estudo relataram no artigo que apesar da semelhança impressionante, eles provavelmente desenvolveram suas características distintivas separadamente. Em comunicado eles afirmaram que, a semelhança entre os dois grupos “provavelmente se devem ao fato de que os arcossaurosda linhagem dos crocodilos e da linhagem das aves evoluíram nos mesmos ecossistema e convergiram para funções ecológicas semelhantes”.
*Sob supervisão de Éric Moreira