Novo fóssil do Egito pode redirecionar estudos sobre origem da humanidade
Fóssil de hominídeo foi encontrado na região do atual Egito; pesquisadores apontam que estudos na África deixaram a região despercebida

Recentemente pesquisadores do Egito descobriram um novo fóssil. A descoberta desafia as teorias atuais de dispersão dos hominídeos pelo mundo. Conforme o artigo lançado na revista Science, a grande parte das expedições em busca de restos de hominídeos têm se dado na África Oriental.
Porém, com a recente descoberta do grupo de paleontólogos da Mansoura University, Egito, estudos sobre o início da dispersão símia podem se voltar para o Nordeste da África e o Oriente Médio.
A descoberta
No mundo da paleontologia símia há algumas áreas do corpo mais reveladoras que outras. Por exemplo, para diferenciar dois hominídeos, é mais fácil analisar duas coroas dentárias de cada espécie do que duas costelas.
Assim, ao desenterrar fósseis de colunas, arcadas, maxilares, polegares, plantas de pés entre outros, toda a comunidade científica comemora. Na escavação organizada pelo professor Shorouq Al-Ashqar foi justamente um fóssil de dente preso à um maxilar que foi achado.
Using a combined molecular and morphological Bayesian analysis, we found that Masripithecus is closer to the lineage of living apes than other apes of the same age. pic.twitter.com/gVIS4eKyWm
— Hesham Sallam (@heshamsallam) March 26, 2026
Através de mapeamento genético e análises comparativas, pode-se perceber que a estrutura era comum tanto aos humanos quanto aos macacos modernos.
Justamente pela inflexão no consenso a espécie foi chamada de Masripithecus moghraensis, sendo “Masri” um termo que pode ser traduzido do arábico e do grego como “macaco do Egito ou trapaceiro”. Enquanto que “moghra” se refere a região de Wadi Moghra, onde foi encontrado.
Tradição e consenso
Até então, antes do descobrimento desse fóssil, acreditava-se que os hominídeos que foram para a Ásia e Europa partiram diretamente da África Oriental. Ainda, as linhas mais tradicionais de estudo, apontam que essas jornadas buscavam melhores recursos e fuga de predadores.
Ademais, os primeiros fósseis da região datam de 25 milhões de anos, ou seja, indiscutivelmente mais velhos que o Masripithecus moghraensis. Mas, as características presentes nesses, são mais próximas às dos atuais conhecidos, tornando-o um possível antepassado em comum.

Dessa forma, o fóssil de aproximadamente 18 milhões de anos redirecionou os olhares científicos ao dar origem à hipótese de origem dos macacos modernos e dos humanos no Oriente Médio e no Nordeste da África.
Desse modo, agora a ciência investiga se o local em que vimos a civilização surgindo, também pode ser o berço da própria humanidade.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes