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Novo fóssil do Egito pode redirecionar estudos sobre origem da humanidade

Fóssil de hominídeo foi encontrado na região do atual Egito; pesquisadores apontam que estudos na África deixaram a região despercebida

Representação antiga de símio - Créditos: Getty Images

Recentemente pesquisadores do Egito descobriram um novo fóssil. A descoberta desafia as teorias atuais de dispersão dos hominídeos pelo mundo. Conforme o artigo lançado na revista Science, a grande parte das expedições em busca de restos de hominídeos têm se dado na África Oriental.

Porém, com a recente descoberta do grupo de paleontólogos da Mansoura University, Egito, estudos sobre o início da dispersão símia podem se voltar para o Nordeste da África e o Oriente Médio.

A descoberta

No mundo da paleontologia símia há algumas áreas do corpo mais reveladoras que outras. Por exemplo, para diferenciar dois hominídeos, é mais fácil analisar duas coroas dentárias de cada espécie do que duas costelas.

Assim, ao desenterrar fósseis de colunas, arcadas, maxilares, polegares, plantas de pés entre outros, toda a comunidade científica comemora. Na escavação organizada pelo professor Shorouq Al-Ashqar foi justamente um fóssil de dente preso à um maxilar que foi achado.


Através de mapeamento genético e análises comparativas, pode-se perceber que a estrutura era comum tanto aos humanos quanto aos macacos modernos

Justamente pela inflexão no consenso a espécie foi chamada de Masripithecus moghraensis, sendo “Masri” um termo que pode ser traduzido do arábico e do grego como “macaco do Egito ou trapaceiro”. Enquanto que “moghra” se refere a região de Wadi Moghra, onde foi encontrado.

Tradição e consenso

Até então, antes do descobrimento desse fóssil, acreditava-se que os hominídeos que foram para a Ásia e Europa partiram diretamente da África Oriental. Ainda, as linhas mais tradicionais de estudo, apontam que essas jornadas buscavam melhores recursos e fuga de predadores.

Ademais, os primeiros fósseis da região datam de 25 milhões de anos, ou seja, indiscutivelmente mais velhos que o Masripithecus moghraensis. Mas, as características presentes nesses, são mais próximas às dos atuais conhecidos, tornando-o um possível antepassado em comum.

Expansão dos símios pelo mundo – Créditos: Reprodução/Imagem/X/@@heshamsallam

Dessa forma, o fóssil de aproximadamente 18 milhões de anos redirecionou os olhares científicos ao dar origem à hipótese de origem dos macacos modernos e dos humanos no Oriente Médio e no Nordeste da África.

Desse modo, agora a ciência investiga se o local em que vimos a civilização surgindo, também pode ser o berço da própria humanidade.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: