Henry Borel: defesa de Jairinho abandona júri e adia julgamento
Advogados do ex-vereador deixam plenário após negativa de adiamento; decisão interrompe julgamento do caso Henry Borel

O julgamento do caso Henry Borel, um dos crimes mais perturbadores dos últimos anos no Brasil, foi interrompido nesta segunda-feira, 23, após a defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, abandonar o plenário do Tribunal do Júri no Rio de Janeiro. A decisão veio logo depois de a juíza responsável pelo caso negar um pedido de adiamento feito pelos advogados do réu.
Com a saída da equipe de defesa, a sessão não pôde prosseguir, levando ao adiamento do julgamento para o dia 22 de junho. O júri decidirá se Jairinho e Monique Medeiros, mãe de Henry, são culpados pela morte do menino, ocorrida em março de 2021.
Os advogados de Jairinho alegaram não ter tido acesso completo a provas consideradas fundamentais para a defesa, especialmente conteúdos extraídos de dispositivos eletrônicos ligados ao processo. Segundo eles, houve uma “seleção prévia” do material, o que comprometeria o direito a um julgamento justo.
A juíza, no entanto, rejeitou o argumento, afirmando que as provas já estavam disponíveis nos autos por outros meios e que a defesa teve tempo suficiente — ao longo de anos de tramitação — para analisá-las. Ela também classificou a saída dos advogados como uma conduta inadequada, destacando que a atitude prejudica não apenas o andamento do processo, mas também os direitos da família da vítima e o princípio de duração razoável do julgamento.
A acusação interpretou o movimento como uma tentativa de atrasar o desfecho do caso. Representantes da assistência de acusação já haviam antecipado a possibilidade de manobras para postergar o julgamento, que ocorre cinco anos após a morte da criança.
Caso Henry Borel
Henry Borel tinha apenas 4 anos quando morreu, em um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Inicialmente tratado como um acidente doméstico, o caso ganhou novos contornos após o laudo do Instituto Médico-Legal identificar 23 lesões no corpo da criança, incluindo hemorragia interna e laceração hepática, compatíveis com agressões.
De acordo com as investigações, o menino teria sido vítima de uma rotina de violência, atribuída ao padrasto, com conhecimento da mãe. Ambos respondem por crimes como homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual.