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Icônica guitarra do Pink Floyd se torna a mais cara já vendida em leilão

"Black Strat", uma Fender Stratocaster de 1969 de David Gilmour, foi usada em alguns dos álbuns mais famosos do Pink Floyd, e recentemente vendida pelo valor recorde de R$ 75 milhões

David Gilmour com a guitarra "Black Strat" em 1975 / Crédito: Getty Images

A guitarra mais icônica do Pink Floyd acaba de entrar para a história ao se tornar a mais cara já vendida em leilão. A lendária Fender Stratocaster de 1969 de David Gilmour foi arrematada por US$ 14,55 milhões (mais de R$ 75,6 milhões, na cotação atual) por um comprador não identificado, estabelecendo um novo recorde no mercado de instrumentos musicais.

Conhecida como “Black Strat”, a guitarra foi o principal instrumento de Gilmour ao longo de sua carreira com a banda britânica. O modelo foi utilizado em seis álbuns do grupo, incluindo o clássico ‘The Dark Side of the Moon’ (1973), além de outros trabalhos marcantes. Com o valor alcançado no leilão, o instrumento superou o recorde anterior, que pertencia à Martin D-18E de Kurt Cobain, vendida por US$ 6,01 milhões em 2020.

O item fazia parte da coleção de Jim Irsay, ex-proprietário do Indianapolis Colts. O acervo reunia cerca de 400 peças relacionadas a esportes, música, cinema e cultura pop. A venda foi conduzida pela Christie’s, tradicional casa de leilões.

Lote após lote, sentimos que estávamos fazendo história”, afirmou Julien Pradels, presidente da Christie’s Americas, em comunicado.

A guitarra “Black Strat” / Crédito: Getty Images / Christie’s

Black Strat

Gilmour adquiriu a guitarra em Nova York, em 1970, e passou a utilizá-la como instrumento principal a partir de 1971, durante a turnê mundial do álbum ‘Atom Heart Mother’. Ao longo dos anos, a Black Strat esteve presente em momentos decisivos da trajetória do Pink Floyd, incluindo a apresentação registrada no filme-concerto ‘Pink Floyd: Live at Pompeii’, de 1972.

O instrumento foi utilizado em todos os álbuns do grupo entre 1972 e 1983, além de integrar os quatro discos solo lançados por Gilmour. Seu som ajudou a definir alguns dos solos, riffs e bases rítmicas que marcaram a identidade musical da banda, especialmente em produções consideradas históricas.

Além de seu valor simbólico, a guitarra também reflete o perfil experimental do músico. Ao longo dos anos, Gilmour realizou diversas modificações no instrumento, incluindo a troca do braço em seis ocasiões diferentes e a substituição de componentes como afinadores, chaves e captadores.

“Sempre a usei como um campo de testes para experimentar todo tipo de coisa. Ela já teve vários braços diferentes e captadores diferentes”, disse Gilmour à Guitar World em 2006. “Sempre a considerei minha guitarra gambiarra, onde nada é sagrado. Já mandei fazer furos nela. Mesmo assim, continua sendo uma boa guitarra.”

Com o fim gradual do Pink Floyd na década de 1980, a Black Strat permaneceu fora dos palcos por vários anos. Entre 1986 e 1997, o instrumento foi emprestado ao Hard Rock Cafe, em Dallas, como parte de uma iniciativa beneficente. A guitarra voltou a ser utilizada em 2005, durante o show de reunião da banda no Hyde Park, em Londres.

Durante os ensaios para essa apresentação, o impacto do reencontro com o instrumento foi imediato. “O som da guitarra ascendeu instantaneamente ao que só pode ser descrito como ‘outro nível’”, escreveu Phil Taylor, técnico de guitarra de longa data de Gilmour, em um livro publicado em 2008. “Sua linguagem corporal mudou, tornando-se animada e interagindo com a guitarra como se ele tivesse acabado de reencontrar um velho amigo perdido há muito tempo.”

Vale mencionar que a Black Strat já havia sido leiloada anteriormente, em 2019, quando foi vendida por pouco menos de US$ 4 milhões em outro evento da Christie’s. Na ocasião, o leilão reuniu cerca de 120 guitarras da coleção pessoal de Gilmour e teve como objetivo arrecadar recursos para caridade, repercute a Smithsonian Magazine.

“Sabe de uma coisa? Para mim, posso me desapegar dela”, disse Gilmour à Rolling Stone em 2019. “É uma guitarra adorável. Ela esteve presente em praticamente todos os álbuns do Pink Floyd durante os anos 70… mas a Fender fez réplicas que vende, e eu tenho duas ou três delas que são absolutamente perfeitas. Uma delas pode ser a minha guitarra de escolha no futuro ou, pior ainda, talvez eu até mude a cor.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.