Sonda espacial deve reentrar na atmosfera após atividade solar
Sonda científica da NASA que estudou os cinturões de radiação do planeta deve se desintegrar em reentrada no planeta

Uma Sonda da NASA com cerca de 600 quilos — equivalente a aproximadamente 1.300 libras — deve reentrar na atmosfera terrestre nesta terça-feira, 10, após quase 14 anos em órbita. O retorno do equipamento, conhecido como Van Allen Probe A, ocorre antes do previsto devido ao aumento recente da atividade solar, que acelerou a deterioração de sua órbita.
A sonda foi lançada em agosto de 2012 como parte de uma missão dupla dedicada ao estudo dos cinturões de radiação da Terra, regiões do espaço dominadas por partículas altamente energéticas presas pelo campo magnético do planeta. Esses cinturões — chamados de cinturões de Van Allen — são fundamentais para compreender o chamado “clima espacial”, que pode afetar satélites, sistemas de comunicação e até redes elétricas.
O equipamento operou ao lado de uma nave gêmea, a Van Allen Probe B, coletando dados sobre o comportamento dessas partículas e sobre a influência de tempestades solares na magnetosfera terrestre. As duas sondas foram desativadas em 2019 após o esgotamento de combustível, mas permaneceram em órbita desde então, gradualmente perdendo altitude.
A reentrada da sonda A estava inicialmente prevista para ocorrer apenas em meados da próxima década, por volta de 2034. No entanto, o atual ciclo solar — que atingiu um período de atividade elevada — aumentou a densidade da atmosfera superior da Terra. Esse fenômeno intensifica o chamado arrasto atmosférico, força que desacelera objetos em órbita baixa e faz com que eles percam altitude mais rapidamente.
Queda da sonda
Segundo estimativas da Força Espacial dos Estados Unidos, a reentrada deve ocorrer por volta das 19h45 (horário da costa leste americana), embora haja uma margem de incerteza de cerca de 24 horas. Durante o processo, a maior parte da estrutura deve se desintegrar devido ao intenso calor gerado pelo atrito com a atmosfera.
Mesmo assim, especialistas afirmam que alguns componentes mais resistentes podem sobreviver à descida e atingir o solo. Ainda assim, o risco para a população é considerado extremamente baixo: a probabilidade de que destroços causem danos a alguém é estimada em cerca de 1 em 4.200.