Novo radar na Noruega vai revelar segredos inéditos da aurora boreal
Com um novo radar de 10 mil antenas, a Noruega une seu legado histórico às tecnologias 3D para desvendar a microfísica das auroras boreais

Um século após o fechamento do seu primeiro observatório, a Noruega se prepara para inaugurar um radar revolucionário na cidade de Skibotn.
Com isso, uma vasta rede composta por 10 mil antenas começará a sondar a atmosfera para desvendar os maiores segredos das auroras boreais. O ambicioso projeto visa fornecer uma compreensão detalhada e inédita sobre a microfísica das luzes do norte e do clima espacial.
Lendas e pioneirismo
No passado, o mistério no extremo norte era explicado por lendas de donzelas dançantes e espíritos, o que fazia marinheiros evitarem o alto-mar por medo das luzes espectrais.
Contudo, entre o final do século 19 e início do 20, o físico Kristian Birkeland desenvolveu a primeira teoria científica sólida sobre o fenômeno. Assim, ele descobriu que partículas solares colidem com átomos na atmosfera terrestre, liberando energia em forma de luz verde, vermelha ou roxa.
O avanço em 3D
Atualmente, a física geral que explica o evento já é bem compreendida, como ressalta o pesquisador Asgeir Brekke. Apesar disso, o novo sistema chamado EISCAT 3D busca esclarecer as complexas variações nas densidades de partículas e os movimentos exatos do plasma.
De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, o enorme conjunto iluminará o céu escandinavo com ondas de rádio, trabalhando em conjunto com bases na Finlândia e na Suécia.Dessa maneira, os cientistas conseguirão criar imagens tridimensionais dos gases ionizados que dão origem ao espetáculo luminoso.
Além do forte apelo visual, a iniciativa possui um propósito prático e urgente para a nossa sociedade conectada. Consequentemente, as medições precisas do diretor Magnar Gullikstad Johnsen e sua equipe serão vitais para prever tempestades solares que ameaçam redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra.
Legado histórico preservado
Historicamente, a nação nórdica é considerada o verdadeiro berço da pesquisa sobre o cintilar ártico, tendo o seu pioneiro observatório no desafiador monte Halde.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as forças alemãs chegaram a destruir o local, mas uma intensa restauração teve início na década de 1980. Por isso, manter o extenso banco de dados magnéticos e as antigas fotografias em vidro é visto hoje como uma missão sagrada.
O físico Njal Gulbrandsen destaca a importância de pensar nas futuras gerações ao cuidar desse acervo incalculável, repleto de arcos e coroas catalogados.
Da mesma forma, defensores da história local, como Hakon Haldorsen, lideram esforços comunitários contínuos para garantir que as antigas instalações sigam de pé, contando essa incrível trajetória.
*Sob supervisão de Éric Moreira