Mulher descobre 35 obras de Rembrandt escondidas em pasta há um século

Ao organizar gavetas durante a pandemia, uma mulher encontrou 35 gravuras de Rembrandt que estavam esquecidas em uma pasta da família há mais de um século

À esquerda, o “Auto-retrato com boné de pele” (1630); à direita, “A Mulher Panqueca” (1635). Ambas integram a coleção de Charlotte Meyer / Crédito: Reprodução/Coleção Charlotte Meyer/Museu Stedelijk Zutphen

Uma organização doméstica de rotina durante o confinamento da pandemia se revelou um evento extraordinário para a holandesa Charlotte Meyer. Enquanto abria uma pasta de relíquias de família que permanecia intocada há décadas, ela descobriu 35 gravuras originais de Rembrandt van Rijn, o mestre do século 17. As obras, adquiridas por seu avô há mais de um século, serão exibidas ao público pela primeira vez em março de 2026.

A coleção foi montada entre 1900 e 1920, quando o avô de Meyer comprou as peças por apenas alguns florins — uma época em que o interesse do mercado por gravuras era mínimo. Após o falecimento do patriarca, a pasta foi herdada por Charlotte, que a guardou em uma gaveta sem suspeitar do valor histórico e financeiro que o material carregava.

Autenticação e superação do ceticismo

A princípio, a proprietária hesitou em procurar especialistas, temendo que as peças fossem falsificações. O mercado de arte tem enfrentado desafios recentes com quadrilhas internacionais de falsários, o que aumentou o rigor das instituições.

No entanto, após uma análise técnica detalhada feita por especialistas do Museu Stedelijk, a autenticidade e o excelente estado de conservação das obras foram confirmados.

Eles disseram: ‘Charlotte, você não tem ideia do que tem!’”, relatou Meyer à imprensa local.

De acordo com informações da revista Smithsonian, entre as peças encontradas estão obras emblemáticas como “Auto-retrato com boné de pele” (1630) e “A Mulher Panqueca” (1635).

O impacto da descoberta foi tão profundo que a herdeira decidiu expandir o acervo, adquirindo outras gravuras de contemporâneos de Rembrandt nos últimos anos.

Mercado aquecido e exposição pública

A descoberta ocorre em um momento de valorização recorde para o artista holandês. Recentemente, a gravura de um retrato de Arnout Tholinx foi vendida na Christie’s por aproximadamente US$ 4,1 milhões, o maior valor já pago por uma impressão de um antigo mestre. Além disso, o desenho “Leão Jovem Repousando” alcançou a cifra de US$ 17,9 milhões em um leilão da Sotheby’s no início deste mês.

A partir de março, o público poderá conferir as 35 gravuras originais e outras 40 obras complementares na exposição “Rembrandt, Das Trevas à Luz”, sediada no Museu Stedelijk de Zutphen.

O evento contará com uma visita guiada especial conduzida pela própria Charlotte Meyer, focada no simbolismo das técnicas de Rembrandt, celebrando o retorno dessas obras à luz após cem anos de esquecimento.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes