Declaração de Independência e itens raros dos EUA vão a leilão
Entre os itens raros, destaque para cópia da Declaração de Independência e retrato de George Washington; peças do leilão são avaliadas em milhões

Nesta sexta-feira, 23, a casa de leilões Christie’s promoveu um evento de grande porte em Nova York. Intitulado “Nós, o Povo: A América aos 250 anos”, o leilão reuniu documentos e artefatos originais fundamentais. A iniciativa ocorre em um momento simbólico, pois coincide exatamente com o início das comemorações do 250° aniversário da independência dos Estados Unidos.
Diante da relevância do acervo, o evento atraiu a atenção imediata de grandes instituições. Museus, universidades e colecionadores particulares demonstraram interesse no valor histórico e simbólico das peças. Dessa forma, a disputa focou na aquisição de objetos raros que ajudam a narrar a trajetória da nação americana desde a sua fundação.
Documentos fundadores
De acordo com informações repercutidas pelo jornal O Globo, entre os itens de maior prestígio, o catálogo apresentou uma impressão rara da Declaração de Independência. Produzida em 1776, a peça é atribuída ao impressor Robert Luist Fowle.
É importante destacar que este documento é uma das poucas versões conhecidas além da edição original de John Dunlap, da qual restam apenas 26 exemplares no mundo. Por conta dessa escassez, a estimativa de valor da obra foi fixada entre 3 e 5 milhões de dólares.
Ao mesmo tempo, a Christie’s ofertou outros textos cruciais para a estrutura política norte-americana. O leilão incluiu uma versão editada da Constituição de 1787, preparada por Rufus King poucos dias antes da publicação final.
Além disso, houve a venda de uma das 48 cópias assinadas da Proclamação de Emancipação. O documento histórico foi firmado pelo presidente Abraham Lincoln, juntamente com William Seward e John Nicolay.
Arte e relíquias
No entanto, o leilão não se restringiu apenas aos textos governamentais. O catálogo também contemplou obras de arte e relíquias culturais importantes. Com isso, o público pode conferir um retrato clássico de George Washington, pintado por Gilbert Stuart.

Junto também estava disponível um esboço original da famosa obra “American Gothic”, de Grant Wood, bem como uma bandeira recuperada após a Batalha de Little Bighorn, de 1876.
Preservação da memória
Segundo Peter Klarnet, especialista em manuscritos da Christie’s, a importância do evento reside na oportunidade de análise histórica. Ou seja, os documentos permitem observar como a sociedade da época teve contato direto com esses textos fundadores. Anteriormente à venda, os lotes ficaram expostos no Rockefeller Center entre os dias 16 e 22 de janeiro.
Consequentemente, a exposição prévia ampliou o debate sobre a preservação do patrimônio nacional. Sob essa ótica, o historiador Harold Holzer ressaltou o papel essencial dos colecionadores privados. Muitas vezes, são eles que garantem a manutenção dessas fontes primárias antes de sua eventual incorporação a grandes acervos públicos ou institucionais.