Estudo levanta debate Sobre terremoto na Crucificação de Jesus
Pesquisadores afirmam que evidências geológicas no Mar Morto podem estar ligadas ao relato bíblico de um terremoto na morte de Jesus

Um estudo científico tem sido novamente citado por veículos de mídia ao redor do mundo sugerindo que vestígios geológicos compatíveis com um terremoto antigo foram identificados em sedimentos na região do Mar Morto, possivelmente no mesmo período em que os evangelhos situam a crucificação de Jesus de Nazaré, cerca de 2 000 anos atrás.
A associação entre esse achado e o relato bíblico — especificamente o episódio narrado em Mateus 27, em que “a terra tremeu e as rochas se partiram” após a morte de Jesus — voltou a ganhar atenção após uma reportagem que retomou essa hipótese científica.
Segundo pesquisas de geólogos que perfuraram núcleos sedimentares próximos ao lago de Ein Gedi, existem camadas deformadas indicativas de atividade sísmica entre os anos 26 e 36 d.C., um período que coincide com a era histórica em que se estima que a crucificação tenha ocorrido, durante o governo de Pôncio Pilatos na Judeia. Estas estruturas deformadas, chamadas de seismitos, sugerem que um terremoto regional pode ter ocorrido naquela época, embora não haja relatos extrabíblicos diretos confirmando o evento.
Crucificação de Jesus
A hipótese parte da comparação entre os dados geológicos e passagens bíblicas que descrevem tremores de terra, além de tentar combinar essas evidências com informações cronológicas e astronômicas que ajudariam a situar cronologicamente a morte de Jesus em uma sexta-feira durante a Páscoa judaica, como alguns estudiosos já haviam proposto em pesquisas anteriores baseadas em manuscritos e cálculos calendáricos.
No entanto, especialistas ressaltam que a evidência geológica não permite afirmar com certeza que o terremoto descrito nos evangelhos realmente ocorreu, nem que tenha sido sentido em Jerusalém no dia da crucificação. A deformação nos sedimentos pode ter sido causada por um terremoto ocorrido anteriormente ou posteriormente dentro de um intervalo de cerca de 10 anos — e não há registros sísmicos diretos independentes desse período que confirmem o evento de forma conclusiva.
Além disso, enquanto o evangelho de Mateus menciona explicitamente um terremoto no momento da morte de Jesus, os livros de Marcos e Lucas não corroboram esse detalhe, mencionando apenas trevas e outros fenômenos, e João situando eventos em momentos diferentes, o que aumenta a complexidade de ligar dados científicos a narrativas religiosas com precisão histórica.
Críticos da interpretação estrita da pesquisa argumentam que, mesmo se o terremoto geológico tivesse ocorrido no intervalo de tempo histórico apontado, não há garantias de que ele tenha relação causal com o relato bíblico, que pode ter sido interpretativo ou teologicamente motivado pelos autores dos evangelhos para transmitir significado simbólico.