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Água subterrânea pode abrigar várias formas de vida

Reservatórios subterrâneos de água com bilhões de anos podem abrigar ecossistemas ocultos e fornecer pistas sobre vida na Terra

oceano
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

Pesquisadores de diferentes partes do mundo estudam reservatórios de água subterrânea isolados há bilhões de anos — remanescentes de épocas muito anteriores à evolução da vida complexa na superfície da Terra — e agora vêem neles potencial para sustentar vida em condições extremas, além de abrir novas perspectivas sobre a possível existência de vida em outros planetas.

Esse tipo de água profunda, encontrada em fraturas de rochas em grandes profundidades, representa um ambiente isolado e estável que pode ter permanecido inalterado por bilhões de anos. Diferente da água que circula na superfície e participa do ciclo hidrológico, essa água antiga ficou retida em aquíferos profundos, isolada de processos externos e de influência atmosférica, e é classificada pelos cientistas como “fossil water” — água fóssil — justamente por ter se infiltrado e sido armazenada no subsolo em períodos geológicos muito remotos.

O interesse dos pesquisadores se dá não apenas pela idade desse tipo de formação, mas pelas condições químicas únicas que ela pode apresentar. Em muitas dessas reservas subterrâneas há concentrações significativas de gases dissolvidos, como hidrogênio e metano, que podem servir como fontes de energia para microrganismos que não dependem de luz solar — ainda que tais formas de vida sejam diferentes das encontradas em ambientes superficiais.

Vida subterrânea

Essa possibilidade de vida “quimiossintética” em total isolamento remete a ecossistemas subterrâneos extraordinários já documentados em cavernas, onde comunidades inteiras de organismos sobrevivem sem luz solar graças à oxidação de substâncias químicas presentes na água subterrânea.

Além disso, a existência de recursos hídricos antigos armazenados profundamente sob a superfície da Terra reforça modelos científicos que também sugerem a presença de grandes quantidades de água subterrânea em outros corpos do Sistema Solar, como Marte, cuja geologia mostra evidências de que água tenha sido abundante no passado e subsistido em ambientes protegidos abaixo da crosta.

Estudos em Marte apontam que, mesmo após a perda de sua atmosfera e a redução hídrica drástica na superfície, quantidades significativas de água podem ter permanecido sob o solo, preservadas em aquíferos ou em estruturas geológicas profundas — ambientes que poderiam teoricamente favorecer formas de vida microbiana subterrânea.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.