Japão anuncia instalação de mísseis em ilha estratégica próxima a Taiwan
Medida foca no uso de mísseis terra-ar para conter o avanço chinês e marca uma mudança no eixo de defesa japonês, deslocando forças para o oeste

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, anunciou na terça-feira, 24. que o país planeja instalar mísseis em uma pequena ilha próxima a Taiwan em até cinco anos.
O modelo escolhido é o míssil terra-ar, capaz de abater aeronaves e mísseis balísticos. Estrategicamente posicionada em Yonaguni, a ilha mais ocidental do arquipélago japonês, a iniciativa deve elevar as tensões diplomáticas com a China.
Cronograma e preparação
De acordo com informações do jornal britânico The Guardian, o plano é concluir a instalação até março de 2031, dependendo do progresso na preparação das infraestruturas locais.
O anúncio ocorre em um momento de fragilidade nas relações entre Tóquio e Pequim. Em novembro de 2025, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que um possível ataque chinês a Taiwan poderia levar ao acionamento das Forças de Autodefesa (SDF) do Japão, caso o conflito representasse uma “ameaça existencial” ao país.
A fala de Takaichi gerou forte reação da China, que orientou seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão e impôs restrições à exportação de itens de “dupla utilização” para empresas japonesas, acusando o país de promover uma “remilitarização” perigosa.
Por outro lado, Pequim mantém a postura e não descarta o uso de força para a “reunificação” com Taiwan, que hoje é uma democracia autônoma.
Mudança de eixo estratégico
Desde 2022, o Ministério da Defesa do Japão vem deslocando seu foco estratégico. Antes ele era concentrado nas ameaças russas ao norte, mas agora o país prioriza combater a atividade militar chinesa no Mar da China Oriental.
A ilha de Yonaguni, situada a apenas 100 km de Taiwan, já abriga uma base das Forças de Autodefesa. No entanto, o novo armamento gera receio entre os cerca de 1.500 moradores locais, que temem que a ilha — famosa por sua natureza e vida marinha — acabe se tornando um alvo direto em caso de confronto militar na região.
*Sob supervisão de Éric Moreira