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Joe Metheny: o assassino em série que transformava suas vítimas em hambúrgueres

Associado a três assassinatos, Joe Metheny chocou os EUA na década de 1990 ao transformar suas vítimas em hambúrgueres — e os vender para clientes desavisados

Joe Metheny / Crédito: Divulgação

Na década de 1990, o nome de Joe Metheny ficou conhecido nos Estados Unidos como sendo o de um dos assassinos em série mais perturbadores já vistos. Embora a polícia tenha conseguido associá-lo formalmente a três assassinatos, ele próprio afirmou ter matado 13 pessoas — algumas das quais, segundo sua confissão, foram esquartejadas e transformadas em hambúrgueres vendidos a clientes desavisados à beira de uma estrada.

A prisão que desencadeou a revelação ocorreu em dezembro de 1996. Detido inicialmente por agressão, o operário madeireiro, descrito como um homem de grande porte — 1,85 metro de altura e 204 quilos —, tinha fama de explosivo. Os policiais esperavam resistência durante a detenção. Em vez disso, ouviram uma confissão detalhada e direta, cujo teor causou espanto. Ao relatar os crimes, Metheny afirmou: “sou uma pessoa muito doente”.

No depoimento, ele descreveu estupros, assassinatos e o desmembramento de trabalhadoras do sexo e pessoas em situação de rua. Segundo sua versão, essas vítimas eram substitutas de seu alvo principal: a namorada que o havia deixado e desaparecido com o filho do casal.

Joe Metheny

Nascido em 2 de março de 1955, Joseph Roy Metheny cresceu em Essex, nas proximidades de Baltimore, Maryland. Teve uma infância marcada por dificuldades: o pai era ausente e alcoólatra, e a mãe precisava trabalhar longas jornadas para sustentar seis filhos. Poucos detalhes são conhecidos sobre sua juventude. Aos 19 anos, em 1973, ingressou no Exército; e, após esse período, perdeu contato com a família.

Depois de deixar o serviço militar, trabalhou em serrarias e como motorista de caminhão, além de ser usuário de drogas. Em 1994, vivia no sul de Baltimore com a namorada e o filho de seis anos. No entanto, ao retornar de uma viagem de trabalho, descobriu que ambos haviam desaparecido — ele acreditava que a companheira, também dependente química, havia fugido com outro homem.

Durante as buscas, passou por casas de recuperação e por uma ponte onde sabia que a mulher costumava consumir drogas. Foi ali que, segundo sua confissão, matou dois moradores de rua com um machado após não obter informações sobre o paradeiro dela. Temendo ter sido visto, assassinou também um pescador que estava nas proximidades. Em seguida, lançou os corpos no rio.

Meses depois, afirmou ter descoberto o destino da ex-companheira: “descobri cerca de seis meses depois que ela tinha se mudado para o outro lado da cidade com um idiota que a obrigava a se prostituir para conseguir drogas. Eles foram presos por tráfico de drogas e meu filho foi tirado deles por negligência e abuso infantil.”

Ele chegou a ser preso pelos assassinatos que cometeu, mas foi absolvido por falta de provas, já que os corpos nunca foram localizados, repercute o All That’s Interesting.

Hambúrgueres

Após deixar a prisão, Metheny retomou a busca pela ex-namorada. Pouco tempo depois, matou duas prostitutas que se recusaram a fornecer informações; mas, diferentemente das primeiras vítimas, ele levou os corpos para casa, desmembrou-os e armazenou partes em recipientes plásticos. O restante foi enterrado em um pátio de caminhões da empresa onde trabalhava.

Nos fins de semana seguintes, passou a misturar carne humana com carne bovina e suína, moldando hambúrgueres que vendia em uma pequena barraca de churrasco à beira da estrada. De acordo com sua confissão, clientes consumiram os sanduíches sem saber da origem da carne.

“O corpo humano tem um gosto muito parecido com o da carne de porco”, disse ele. “Se você misturar os dois, ninguém vai notar a diferença… então, da próxima vez que você estiver dirigindo na estrada e vir uma barraca de carne assada em forno a lenha que você nunca viu antes, lembre-se desta história antes de dar uma mordida naquele sanduíche.”

Segundo relatou à polícia, vale mencionar, ele nunca recebeu reclamações dos clientes quanto ao sabor.

Joe Metheny / Crédito: Reprodução/WBALTV

Julgamento e morte

A captura definitiva ocorreu em 1996, após uma mulher identificada como Rita Kemper escapar de um ataque e procurar a polícia. Durante o interrogatório, Metheny confessou espontaneamente os crimes, inclusive o assassinato do pescador.

Condenado à morte por um júri, teve a sentença alterada em 2000 por um juiz, que a substituiu por duas prisões perpétuas consecutivas.

No julgamento, declarou: “as palavras ‘me desculpe’ jamais sairão da minha boca, pois seriam uma mentira. Estou mais do que disposto a entregar minha vida pelo que fiz, a ser julgado por Deus e enviado para o inferno por toda a eternidade… Eu simplesmente gostei”.

“A única coisa de que me arrependo em tudo isso é de não ter conseguido assassinar os dois filhos da puta que eu realmente queria”, disse ele. “E esses dois são minha ex-namorada e o desgraçado com quem ela se envolveu.”

Em 2017, por volta das 15h, guardas o encontraram inconsciente em sua cela na Instituição Correcional Ocidental, em Cumberland. Ele foi declarado morto pouco depois, encerrando o caso que ficou marcado por relatos de extrema violência e canibalismo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.