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Descoberta macabra lança luz a desaparecimento de turista belga na Tasmânia

Ossos, dentes e chave do carro foram localizados perto de cachoeira onde Celine Cremer desapareceu em junho de 2023, na Tasmânia

Celine Cremer / Crédito: Divulgação/Polícia da Tasmânia

Uma descoberta considerada macabra pelas autoridades pode ajudar a esclarecer o desaparecimento da turista belga Celine Cremer, de 31 anos, ocorrido em junho de 2023 na região selvagem de Tarkine, no noroeste da Tasmânia, Austrália. Equipes de busca localizaram ossos, dentes e a chave do carro da mochileira a cerca de 2 quilômetros das Cataratas do Filósofo, próximo à Montanha Cradle.

Cremer havia saído para percorrer uma trilha classificada como relativamente fácil ao longo do rio Arthur, em uma antiga floresta tropical, durante um período de inverno rigoroso. Ela levava pouca bagagem, repercute o The Guardian. Porém, dias depois, em 26 de junho, a família comunicou seu desaparecimento às autoridades. No dia seguinte, o SUV branco da turista foi encontrado no estacionamento de Philosopher Falls.

Segundo a polícia da Tasmânia, a jovem foi vista pela última vez em 17 de junho de 2023. Uma ampla operação de busca foi iniciada, mas enfrentou condições climáticas severas. O inspetor Andrew Hanson afirmou que, nos dias seguintes ao desaparecimento, a região registrou temperaturas abaixo de zero, além de neve e chuva intensa: “na época, especialistas médicos indicaram que essas condições não eram compatíveis com a vida dela durante o período em que se acredita que ela tenha ficado exposta.”

Investigações

As buscas oficiais acabaram suspensas; no entanto, amigos e familiares organizaram uma mobilização paralela. Em dezembro do ano passado, o voluntário de busca e resgate do SES Tony Hage encontrou o celular Samsung de Cremer. A descoberta levou a polícia a retomar as investigações em campo.

De acordo com Hanson, a principal hipótese é que a turista tenha deixado cair o telefone e seguido caminhada sem o aparelho, “ficando desorientada em um terreno denso”. A polícia acredita que, ao anoitecer, Cremer tentou fazer um atalho para retornar ao carro, saindo da trilha principal após subir uma escadaria íngreme que leva a uma plataforma de observação da cachoeira.

“Os dados do telefone, bem como a localização onde foi encontrado, corroboram nossa teoria de que Celine pode ter, usando um aplicativo em seu telefone, optado por sair da trilha de Philosopher Falls para pegar uma rota mais direta de volta ao seu carro ao anoitecer,” comenta Hanson.

No dia 28 de janeiro, um excursionista encontrou restos mortais nas proximidades do local onde a turista desapareceu. Jarrod Boys relatou à ABC que viu ossos “simplesmente jogados em cima de uma pilha de terra e pedras”, fotografou a cena e buscou sinal de celular para acionar a polícia.

“Eu estava apenas rezando por um milagre, para que eu conseguisse encontrar alguma coisa hoje”, disse ele. “Acho que entrei em choque. Fiquei muito sobrecarregado. Não sou uma pessoa particularmente emotiva, mas sim, foi definitivamente uma experiência emocional para mim.”

A partir daí, as autoridades intensificaram as buscas, aproveitando o baixo nível do rio Arthur para examinar o leito e as margens. Em 30 de janeiro, foram encontrados um sutiã, uma blusa térmica, uma jaqueta de lã polar e mais ossos que se acredita pertencerem à belga.

Nesta semana, durante a varredura de um trecho de 350 metros do rio, policiais localizaram novos ossos, dois dentes e uma chave de carro confirmada como sendo de Cremer.

“Sabemos que ela se perdeu. Sabemos que ela perdeu o celular. Sabemos que ela possivelmente se afogou no rio Arthur”, afirmou à Australian Associated Press o investigador particular Ken Gamble, que coordenou as buscas voluntárias.

Os exames forenses continuam para confirmar oficialmente a identidade dos restos mortais. O caso será conduzido pelo legista estadual, responsável por investigar as circunstâncias da morte. Mais de dois anos e meio após o desaparecimento, familiares aguardam respostas definitivas sobre o que ocorreu na floresta densa e acidentada de Tarkine.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.