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Escavação revela 11 mil anos de história de ocupação humana na França

Escavações em Bussy-Saint-Georges, na França, identificam acampamentos pré-históricos, povoado da Idade do Ferro e antigos campos romanos; confira!

Escavadores no sítio arqueológico de Bussy-Saint-Georges, na França / Crédito: Divulgação/Inrap/H Bruvoll

Uma escavação arqueológica de grande porte realizada em Bussy-Saint-Georges, no departamento de Seine-et-Marne, na França, revelou vestígios de ocupações humanas que se estendem do Mesolítico ao período romano. A intervenção foi conduzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (Inrap) como parte da implantação da ZAC de la Rucherie e abrangeu três áreas, totalizando 10 hectares.

Entre as descobertas mais antigas estão dois setores atribuídos ao início do Mesolítico, por volta de 9000 a.C. As áreas apresentaram elevada concentração de lascas e ferramentas de sílex, incluindo pontas de flecha características do período. Aproximadamente 2.000 artefatos foram identificados, sobretudo em um dos sítios, cujos vestígios estavam preservados em uma depressão natural. Cinquenta metros quadrados foram escavados manualmente, e análises preliminares indicam diversidade na origem das matérias-primas utilizadas, além de sua alta qualidade.

Na região da Île-de-France, registros desse período em áreas de planalto são raros, o que exigiu escavação particularmente cuidadosa. Exames adicionais, como análises de termoluminescência em sílex queimado, deverão permitir uma datação mais precisa dessas ocupações.

Mais camadas de história

Ao sul da zona central escavada (zona 2), os arqueólogos identificaram indícios de um assentamento proto-histórico datado da transição entre o Hallstatt Tardio (540-450 a.C.) e o La Tène Inicial (400-300 a.C.), períodos da Idade do Ferro. A ocupação é caracterizada por estruturas dispersas, como fossas, silos e buracos de postes. Fragmentos cerâmicos bem preservados foram encontrados no local, incluindo recipientes de armazenamento quase completos.

Pontas de flechas descobertas em Bussy-Saint-Georges, na França / Crédito: Divulgação/Inrap/A. Meeschaert

As observações iniciais, associadas à presença de ferramentas macrolíticas e escamas de martelo, apontam para a realização de atividades artesanais no assentamento, além de práticas agrícolas e rotinas domésticas. Entre os objetos desenterrados estão instrumentos de moagem, como mós de moinho de vaivém, e fusos de cerâmica, informa comunicado do Inrap.

Vestígios de uma ocupação rural estruturada também foram identificados nas três áreas escavadas. A equipe reconheceu um antigo sistema de campos, cuja organização e evolução começaram a ser estudadas, com análises adicionais previstas a partir dos materiais coletados nos fossos.

Os pesquisadores distinguem atualmente três fases principais de ocupação. A mais antiga concentra-se em torno de um grande recinto que incluía uma construção de alvenaria com porão anexo e estruturas de madeira, hoje preservadas apenas por vestígios dispersos. O conjunto é marcado por fossos de grandes dimensões, alguns com até quatro metros de largura.

Em uma fase posterior, o recinto passou por modificações, com a abertura de novos fossos e a criação de uma nova entrada. Por fim, uma rede extensa de pequenos fossos de delimitação atravessou o recinto original e se estendeu por todas as áreas estudadas. No setor mais ao norte, foi identificado um caminho que conectava diretamente esses limites.

Nesse momento, o povoamento deixou de se concentrar em um único recinto e se distribuiu por diferentes lotes. Dois grandes conjuntos de estruturas com postes foram identificados nas áreas 1 e 2, além de construções isoladas e duas edificações de alvenaria na área 3. Em todos os setores, as construções eram acompanhadas por poços revestidos de alvenaria.

Os artefatos encontrados confirmam a predominância de atividades agrícolas, com abundância de instrumentos de moagem, como mós rotativas, almofarizes e pilões, além de estruturas de armazenamento, como adegas e silos. Ao longo dos fossos fronteiriços, foram localizadas cremações, e uma estrutura funerária foi escavada na zona 3, ampliando o entendimento sobre a organização espacial e as práticas funerárias da ocupação.

Antiga adega descoberta em Bussy-Saint-Georges, na França / Crédito: Divulgação/Inrap/A. Meeschaert

Segundo os pesquisadores, o sítio de Bussy-Saint-Georges constitui uma oportunidade singular para analisar diferentes formas de ocupação ao longo de um amplo arco temporal e em extensa área. A sequência identificada contribui para compreender a estruturação da paisagem, especialmente durante o período romano, e confere ao sítio de Rucherie relevância particular para o estudo do Mesolítico em contextos de planalto na Île-de-France, onde descobertas desse tipo são escassas.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.