DNA de gêmeos idênticos confunde investigação de homícidio
Irmãos são acusados de matar dois jovens, mas, por terem DNA idêntico, autoridades não conseguem identificar qual realmente atirou

Dois irmãos gêmeos idênticos, identificados apenas como Samuel e Jérémy Y., estão no centro de um caso criminal incomum na França. Ambos estão sendo julgados, junto com outros três homens, por dupla acusação de assassinato em Saint-Ouen em setembro de 2020, quando Tidiane B. (17) e Sofiane M. (25) foram mortos a tiros perto de um conjunto habitacional no norte de Paris. Eles também enfrentam acusações relacionadas a um tiroteio em outubro daquele ano que deixou seis pessoas feridas.
Mesmo DNA
O que torna o caso especialmente sem precedentes — e um desafio para investigadores e promotores — é que os gêmeos são monozigóticos, ou seja, cresceram a partir do mesmo óvulo fecundado e, portanto, compartilham DNA idêntico. Embora vestígios genéticos vinculados a uma arma de assalto usada no segundo ataque tenham sido encontrados na cena, os peritos forenses não conseguem distinguir qual dos dois irmãos deixou aquela amostra de DNA, tornando impossível provar, com base nessa evidência, quem puxou o gatilho.
“Só a mãe deles consegue distinguir um do outro”, afirmou à imprensa local um investigador durante o julgamento no Tribunal do Júri de Seine-Saint-Denis, nos arredores de Paris — destacando o paradoxo de que uma prova científica considerada uma das mais definitivas não serve para elucidar esse crime específico.
Segundo relatos locais, os gêmeos já tinham histórico de envolvimento em atividades criminosas antes dos homicídios, e investigadores alegam que eles exploraram sua aparência idêntica para confundir as autoridades, trocando frequentemente roupas, telefones e até documentos de identidade durante o período em que eram procurados.
Diante dessa limitação forense, os promotores estão contando com outras linhas de investigação para tentar vincular atos específicos a cada irmão, como imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos e escutas autorizadas, na esperança de reconstruir os movimentos de cada um dos réus no dia dos crimes.