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França corrige erro histórico e anuncia novidade na Torre Eiffel

Lista original de nomes na Torre Eiffel não tinha nenhuma mulher; reforma busca ampliar representatividade científica

Foto da Torre Eiffel
Foto da Torre Eiffel - Domínio público

Um dos monumentos mais emblemáticos do mundo, símbolo da engenharia moderna e da própria cidade de Paris, está prestes a ganhar uma transformação de grande significado histórico e cultural: a Torre Eiffel passará a exibir, ainda em 2026, os nomes de 72 cientistas mulheres em uma nova frise, corrigindo uma omissão que perdura desde a inauguração da estrutura, por volta de 1889.

Desde o fim do século XIX, a Torre Eiffel exibe em sua estrutura os nomes de 72 pesquisadores, engenheiros e matemáticos que, à época, foram escolhidos como símbolos do avanço científico e técnico francês. Todos esses nomes, no entanto, pertencem a homens — uma escolha alinhada ao contexto social da época, mas que acabou por apagar as contribuições de mulheres cientistas que tiveram papel fundamental no desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento.

Novidade na Torre Eiffel

Diante dessa realidade, a Prefeitura de Paris, em parceria com a Société d’Exploitation de la Tour Eiffel (SETE) e com apoio de especialistas, decidiu criar uma nova frise paralela à original para homenagear 72 pesquisadoras de destaque. A iniciativa busca não apenas reparar um erro histórico, mas também oferecer referências positivas e inspiradoras para as futuras gerações de mulheres na ciência.

A seleção das cientistas seguiu critérios técnicos rigorosos, buscando equilíbrio entre várias disciplinas: física, química, matemática e informática, ciências da Terra, biologia e medicina, além da engenharia. Entre as homenageadas estão nomes mundialmente reconhecidos, como Marie Curie, única pessoa na história a receber dois prêmios Nobel em áreas científicas diferentes e a primeira mulher a ser homenageada no Panteão francês.

O projeto também destaca pioneiras em áreas como a computação e a inteligência artificial, incluindo nomes como Alice Recoque e Rose Dieng, cujas pesquisas precursoras foram fundamentais para o desenvolvimento desses campos. A homenagem ainda tem conexão com a ciência brasileira por meio da física Georgette Délibrias, cujos estudos com carbono-14 ajudaram a datar vestígios humanos no Brasil muito além do que se acreditava anteriormente.

A instalação da nova frise está planejada para ocorrer ainda em 2026 e seguirá normas rigorosas de preservação do patrimônio histórico do monumento, que é um dos mais visitados do mundo.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.