Antigo aqueduto de Petra tinha sistema avançado de tubulação de chumbo
Novo estudo revela que o aqueduto de Ain Braq, na antiga cidade de Petra, continha um sistema avançado de tubulação de chumbo, revelando um projeto mais complexo do que se pensava

Um novo estudo arqueológico revelou que o sistema de abastecimento de água da antiga cidade de Petra, no sul da Jordânia, era mais sofisticado do que se acreditava até agora. A pesquisa, conduzida por Niklas Jungmann, da Universidade Humboldt de Berlim, analisou o aqueduto de Ain Braq, uma das principais estruturas hidráulicas que atendiam a capital nabateia, e identificou um complexo arranjo de condutos, reservatórios e tubulações, incluindo um oleoduto de chumbo até então desconhecido.
O levantamento concentrou-se em uma área de cerca de 2.500 metros quadrados no maciço de Jabal al-Madhbah, onde partes significativas do aqueduto permanecem preservadas. A investigação integra o Projeto de Desenvolvimento Urbano da Petra Antiga e se baseou em trabalhos de campo realizados em setembro de 2023. Os resultados indicam que a infraestrutura hidráulica local passou por diferentes fases construtivas e tecnológicas, refletindo adaptações ao crescimento urbano e às condições ambientais.
Petra, vale mencionar, viveu seu período de maior prosperidade entre o século 1 a.C. e os primeiros séculos da era cristã. Nesse período, a cidade abrigava banhos públicos, complexos de jardins, piscinas, fontes e templos monumentais, estruturas que dependiam de um fornecimento contínuo e controlado de água em um ambiente semiárido. Embora estudos anteriores tenham descrito a rede hidráulica de Petra em escala ampla, análises detalhadas de setores específicos ainda eram escassas.
Durante o levantamento recente, os pesquisadores identificaram nove condutos distintos na área estudada. Entre eles está um oleoduto de chumbo com aproximadamente 116 metros de extensão, que não havia sido registrado em pesquisas anteriores. A equipe também documentou um grande reservatório fechado por uma barragem elevada voltada para o lado urbano, além de duas cisternas e sete bacias de tamanhos variados. Muitas dessas estruturas estavam conectadas a canais de drenagem escavados diretamente na rocha.
A tubulação de chumbo corresponde a uma das fases iniciais do sistema. Construído a partir de seções soldadas, o tubo era destinado ao transporte de água sob pressão, uma solução adequada para terrenos íngremes, nos quais a água precisava vencer desníveis antes de seguir seu curso descendente. Em uma fase posterior, o sistema passou a empregar tubos de terracota e canais abertos apoiados sobre uma base de pedra. Esses condutos levavam a água até uma pequena caixa de distribuição com duas saídas, que direcionava o fluxo para diferentes áreas urbanas.
Técnicas avançadas
O uso de tubulações de chumbo é incomum fora de ambientes internos no Mediterrâneo oriental. Sua presença em Petra sugere um investimento elevado e o emprego de mão de obra especializada. Os pesquisadores avaliam que esse sistema transportava água até áreas elevadas, como a crista de Az Zantur, de onde o fluxo seguia por gravidade até os principais distritos públicos da cidade, repercute o Archaeology News.
Entre as estruturas analisadas, destaca-se uma barragem de retenção construída para bloquear uma fenda natural no arenito. Diferente de outras barragens da região, ela apresenta contornos irregulares e uma face escalonada. Não foram identificadas saídas de pressão visíveis na porção preservada. O formato escalonado provavelmente ampliava a base da estrutura e reduzia a pressão da água acumulada, enquanto o reservatório abastecia as bacias próximas durante períodos de chuva sazonal.
O estudo, publicado na revista Levant: The Journal of the Council for British Research in the Levant, associa a fase inicial do aqueduto às grandes obras realizadas durante o reinado de Aretas IV, entre o final do século 1 a.C. e o início do século 1 d.C. Posteriormente, a substituição das tubulações de chumbo por condutos de terracota indica uma adaptação tecnológica voltada à redução de custos e à facilidade de manutenção. O projeto em andamento busca mapear todo o trajeto do aqueduto de Ain Braq e sistemas associados, contribuindo para uma compreensão mais precisa do planejamento hidráulico e da infraestrutura urbana nabateia.