Antigos rituais com fetos são descobertos no Irã
Dois fetos enterrados em vasos de cerâmica revelam práticas funerárias do período chalcolítico, no noroeste do país

Arqueólogos trabalhando no sítio arqueológico de Chaparabad, no noroeste do Irã, analisaram recentemente dois enterros de fetos datados de cerca de 6.500 anos — um achado considerado raro e significativo para o entendimento de povos pré-históricos do período chalcolítico na Ásia Ocidental.
As descobertas, documentadas em pesquisa publicada na revista Archaeological Research in Asia, foram feitas a cerca de 3 metros de distância um do outro, dentro dos restos de uma ampla estrutura que pode ter servido a diferentes funções dentro do assentamento. Os dois fetos, cujos restos ósseos estavam consideravelmente preservados, foram colocados em grandes vasos cerâmicos associados à cultura Dalma, uma tradição arqueológica do quinto milênio a.C.
Ritual fetal
Segundo os pesquisadores informaram à Phys.org, um dos vasos foi encontrado numa área provavelmente usada como cozinha, onde ainda havia manchas de fuligem que sugerem uso para cozimento de alimentos antes de ser reutilizado como recipiente funerário. Nesse mesmo vaso, os arqueólogos descobriram ossos de ovelhas ou cabras, que foram depositados junto ao feto ou sob o vaso, além de uma peça de pedra trabalhada, possivelmente um artefato ou ofertório.
O outro vaso, por sua vez, estava em uma área interpretada como possível espaço de armazenamento e não continha quaisquer bens funerários associados — uma diferença que chamou a atenção dos estudiosos. A ausência de artefatos ou restos animais neste segundo enterramento sugere variações nos rituais ou no significado social atribuído a cada enterro, mesmo quando datados do mesmo período e próximos espacialmente.
Ambos os fetos morreram próximos ao término da gestação — entre cerca de 36 e 38 semanas — o que indica que não se tratou de abortos precoces, mas de perdas ocorridas já em fases avançadas da gravidez. A preservação óssea permitiu que os pesquisadores estimassem a idade gestacional com considerável precisão.
Os arqueólogos destacam que enterros fetais são pouco comuns no registro arqueológico, especialmente quando associados a recipientes cerâmicos reutilizados, e que esse tipo de achado pode oferecer importantes insights sobre crenças, práticas rituais e organização social de comunidades antigas. A presença ou ausência de ofertas, bem como a escolha dos próprios vasos, sugere que tais decisões funerárias tinham significados distintos dentro do grupo.
Os pesquisadores planejam realizar análises de DNA e estudos de composição química dos restos humanos para aprofundar o entendimento sobre a origem biológica desses indivíduos, bem como possíveis relações com a população local ou tradições culturais mais amplas.