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Estudo de DNA revela que crocodilos cruzaram o oceano até ilhas da África

Pesquisa confirma que crocodilos de água salgada viajaram da Ásia para as Seychelles, na África, onde foram extintos por humanos

Um crocodilo-de-água-salgada tomando sol no rio Nilgawa, Sri Lanka / Créditos: Divulgação / Kathrin Glaw / SNSB

Uma nova pesquisa genética acaba de reescrever a história natural do Oceano Índico ao confirmar que os extintos crocodilos das Ilhas Seychelles não eram vizinhos africanos, mas sim viajantes de longa distância vindos do Oriente.

O estudo, publicado no dia 28 de janeiro, na revista Royal Society Open Science, utilizou análises de DNA para comprovar que esses répteis pertenciam à espécie Crocodylus porosus, popularmente conhecida como crocodilo-de-água-salgada.

Historicamente, acreditava-se que a população que habitava o arquipélago até o século 18 fosse composta por crocodilos-do-nilo, devido à proximidade geográfica com o continente africano. No entanto, os resultados laboratoriais revelaram que esses animais realizaram uma travessia oceânica impressionante de pelo menos 3.000 quilômetros para colonizar as ilhas.

Expansão e genética

De acordo com informações da revista Live Science, essa descoberta posiciona as Seychelles como o limite mais ocidental já registrado para a espécie, que hoje sobrevive apenas em regiões como Índia, Sudeste Asiático, Austrália e em ilhas do Pacífico Ocidental.

Ainda segundo os pesquisadores envolvidos, essa migração em massa foi facilitada por adaptações biológicas específicas, como as glândulas de sal presentes na língua desses répteis.

Devido a essa característica, os animais conseguiram sobreviver por longos períodos em alto-mar, mantendo a conectividade genética entre populações separadas por vastas extensões de água salgada. Além disso, a alta mobilidade da espécie impediu que o grupo das Seychelles se transformasse em uma espécie isolada e distinta ao longo do tempo.

Extinção e legado

Mas infelizmente, essa linhagem de navegadores resilientes teve um fim trágico após a chegada dos colonizadores humanos. Embora os relatos de expedições antigas descrevessem uma presença massiva de crocodilos nas ilhas, a perseguição direta resultou na extinção total da população local em poucos anos.

Coletando amostras de crocodilos das Seychelles do Museu Nacional das Seychelles / Créditos: Divulgação / Kathrin Glaw / SNSB

Atualmente, restam apenas fragmentos de crânios e dentes preservados em museus, que serviram de base para os cientistas extraírem o material genético necessário para desvendar esse mistério secular sobre a biodiversidade do Índico.


*Sob supervisão de Éric Moreira