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Homem processa chefe após contrair Covid e perder a perna

Ex-gerente da Southeastern diz que complicações graves da infecção por Covid levaram à amputação e acusa negligência no ambiente de trabalho

Imagem ilustrativa de um tribunal
Imagem ilustrativa de um tribunal - Reprodução/Pixabay/Daniel_B_photos

Um ex-gerente de estação da empresa ferroviária Southeastern está processando seu antigo empregador no Tribunal Superior de Londres, afirmando que contraiu Covid-19 de seu chefe durante um encontro de trabalho e um café da manhã, o que levou a um caso grave da doença, hospitalização e, posteriormente, à amputação de sua perna esquerda — e agora ele pede cerca de £1 milhão em compensação. A história foi relatada pelo The Independent nesta terça-feira, 3.

O autor da ação é David Gibson, que trabalhava como gerente de estação da Southeastern na Herne Hill Station em julho de 2021, durante a fase conhecida como Step 3 do plano de flexibilização do Reino Unido para a pandemia, quando ainda vigoravam regras de máscara e distanciamento social.

Infectado com Covid

Conforme os documentos apresentados no tribunal, Gibson foi convidado para uma reunião no escritório de seu superior, Danny Hackett, na estação de Bromley South, seguido por um café da manhã em um pub da rede Wetherspoons. Hackett, que estava visivelmente “indisposto e tossindo”, permaneceu sem máscara durante boa parte do encontro, apesar de estar sintomático, segundo os advogados de Gibson.

Gibson afirma que tentou manter distância e usou máscara, mas acabou sendo exposto ao vírus quando Hackett continuou a tossir — até mesmo durante a refeição — e posteriormente foi identificado como contato próximo após testar positivo para Covid no dia seguinte. Dois dias depois, Gibson também testou positivo, sua condição se deteriorou rapidamente, evoluiu para pneumonia e ele acabou em coma induzido e cuidados intensivos.

Os médicos determinaram mais tarde que o ex-gerente teria de passar por amputação acima do joelho da perna esquerda devido a complicações de coagulação associadas à infecção por Covid-19, um resultado que mudou sua vida e o deixou incapaz de trabalhar desde então, segundo os autos.

A parte queixosa alega que Hackett sabia que estava doente, ignorou políticas internas de saúde e segurança — inclusive as diretrizes em vigor no Reino Unido na época sobre isolamento de sintomas respiratórios — e “negligentemente” compareceu ao trabalho e ao café da manhã, o que teria causado diretamente a infecção de Gibson.

Do lado da defesa, os representantes legais da London and South Eastern Railways Ltd, empresa que opera como Southeastern, negam qualquer responsabilidade. Eles afirmam que, no momento dos fatos, Hackett não apresentava sintomas que pudessem razoavelmente ser associados a uma infecção por Covid-19 antes dos testes positivos subsequentes, e que políticas de prevenção, como instruções para ficar em casa se sintomático, estavam em vigor e foram comunicadas aos funcionários.

A empresa também contesta a alegação de que teria incentivado comportamento negligente, sustentando que as medidas adotadas refletiam o entendimento e as orientações oficiais do governo britânico no período, quando ainda havia desafios práticos para evitar a disseminação de um vírus altamente transmissível.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.