Obra ‘Juízo Final’, de Michelangelo, passará por limpeza na Capela Sistina

Emblemático afresco do mestre renascentista Michelangelo na Capela Sistina, 'Juízo Final' passará por limpeza profunda após três décadas

Fotografia no interior da Capela Sistina / Crédito: Getty Images

Nesta semana, o Vaticano anunciou que teve início um processo de limpeza profunda da obra ‘Juízo Final‘, o famoso afresco criado pelo mestre renascentista italiano Michelangelo. Agora, andaimes já estão erguidos em frente à pintura de 180 metros quadrados, pintada originalmente entre 1536 e 1541.

Durante anos, especialistas vinham realizando limpezas e trabalhos de conservação na Capela Sistina durante a noite; no entanto, o ‘Juízo Final’ demanda de um trabalho mais intenso, segundo o Vaticano. Vale mencionar que a última restauração da obra aconteceu há cerca de três décadas.

Paolo Violini, chefe da restauração, disse em comunicado do Vaticano que o afresco está coberto por “uma névoa esbranquiçada generalizada”, que foi causada “pelo depósito de micropartículas de substâncias externas trazidas por correntes de ar, que, com o tempo, diminuíram os contrastes do claro-escuro e homogeneizaram as cores originais”.

Dessa forma, espera-se que a limpeza “facilitará a remoção desses depósitos e, assim, recuperará a qualidade cromática e luminosa buscada por Michelangelo, restaurando plenamente a complexidade formal e expressiva da obra”.

Segundo o UOL, apesar do processo de limpeza e restauração, a Capela Sistina — que é um dos pontos turísticos mais visitados do Vaticano e da Itália — seguirá aberta ao público.

Capela Sistina

Localizada no Vaticano, a Capela Sistina foi fundada no final do século 15, entre 1477 e 1480, durante o pontificado do papa Sisto IV, de quem herdou o nome. Desde então, tornou-se um dos espaços mais importantes da Igreja Católica, tanto por seu valor artístico quanto por seu papel religioso e institucional.

Um dos aspectos notórios que vale menção é que é na Capela Sistina que ocorre o Conclave, a reunião secreta dos cardeais responsável pela eleição do papa — mais recentemente, vale recordar, o processo que escolheu o papa Leão XIV.

Além disso, o local é mundialmente célebre também pelas obras de Michelangelo: o artista pintou o teto da capela no início do século 16 e, entre 1536 e 1541, realizou o monumental afresco do ‘Juízo Final’ na parede do altar, consolidando a capela como um dos maiores símbolos da arte renascentista e da tradição católica.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.