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‘Investigando Lucy Letby’: 5 fatos para saber antes de ver o documentário da Netflix

Nesta quarta-feira, 4, o documentário 'Investigando Lucy Letby' chega ao catálogo da Netflix; saiba mais sobre o caso!

Mugshot de Lucy Letby - Getty Images

Nesta quarta-feira, 4, estreia na Netflix o documentário “Investigando Lucy Letby”, sobre a enfermeira assassina Lucy Letby, condenada a 15 penas de prisão perpétua pelo assassinato de sete bebês e pelas tentativas de assassinato de outras sete pessoas no Hospital Countess of Chester, na Inglaterra, entre 2015 e 2016.

A produção trará imagens inéditas da enfermeira durante sua prisão e interrogatório — como os registros da reação dela, quando a polícia chegou em sua casa, ou conversas com a mãe de uma de suas vítimas.

O documentário da Netflix abordará tanto a atenção intensa que a mídia deu para o caso como também a reação das redes sociais para o julgamento da enfermeira neonatal. A produção também vai mostrar as dúvidas que surgiram sobre sua condenação desde então. O episódio é descrito pela Polícia de Cheshire como um “caso que acontece uma vez a cada geração”.

Saiba 5 fatos que você precisa saber sobre o casos envolvendo Lucy Letby antes de assistir o documentário da Netflix!

++ O que disse a enfermeira condenada por matar sete bebês?

1. O longo julgamento

Conforme repercute a BBC, o julgamento de Lucy Letby, que ocorreu em 2023, foi um dos mais longos da história da Justiça britânica. As investigações duraram cerca de seis anos e o julgamento final só feito após uma primeira audiência — que não foi capaz de determinar um veredicto sobre as alegações relativas a uma vítima.

Ao todo, seis testemunhas técnicas da área de medicina, e diversos ex-colegas de Lucy, testemunharam contra a enfermeira. Na ocasião, também foram apresentados milhares de documentos pela promotoria, que foram examinados minuciosamente durante vários meses.

Lucy Letby em interrogatório – Getty Images

O processo foi extremamente complicado, visto que incluíam resultados de exames de sangue que mostravam que dois bebês haviam recebido uma overdose de insulina. Além disso, exames de raio-x apontaram que ar havia sido injetado em sete deles; enquanto outros haviam sido alimentados à força com leite.


2. Confissões?

Um ponto que chamou a atenção do caso, durante as investigações na casa de Lucy, foi a descoberta de diversas anotações feitas pela enfermeira. Os escritos pareciam ser um tipo de confissão sobre seus atos.

Eu sou má”, dizia uma das notas que foram encontradas no local.

Além disso, algo que também virou os holofotes para a profissional foram seus históricos de busca na internet. Afinal, Lucy buscava as redes sociais das famílias de suas vítimas, para saber como elas estavam lidando com a situação.

Os promotores apontaram que isso demonstrava que a enfermeira tinha uma curiosidade mórbida em testemunhar o efeito que ela teve em suas vidas.


3. Provas contestadas

A grande polêmica em torno do caso são algumas provas essenciais para a acusação, que muitos profissionais apontam terem uma interpretação diferente do que foi relatado.

Um exemplo disso é a escala de trabalho que mostrou que Letby estava de plantão em cada morte suspeita ou colapso entre junho de 2015 e junho de 2016. Parte fundamental do processo, muitos estatísticos questionam sua utilidade.

“A tabela parece ser muito convincente, mas há uma série de problemas com ela”, aborda Peter Green, professor de estatística e ex-presidente da Royal Statistical Society, à BBC. “Uma coisa importante é que ela descreve apenas 25 dos eventos negativos que aconteceram neste período. Não inclui nenhum dos eventos que aconteceram quando Lucy não estava trabalhando.”

Green afirmou que a tabela também não reflete o fato de que Letby estava trabalhando em turnos extras. “É algo natural do ser humano. Todos nós vemos padrões que não existem… O perigo é que essa evidência pode ser muito convincente para quem é leigo, e interpretada de forma exagerada.”

O documentário da Netflix também terá a participação do neonatologista canadense Dr. Shoo Lee — que escreveu um artigo acadêmico que foi usado como prova pela promotoria. Mas o próprio Lee, posteriormente, apontou que seu trabalho havia sido mal interpretado e que crê na inocência de Lucy.

Lee, inclusive, presidiu um painel de especialistas internacionais que examinaram os autos do caso e argumentaram que nenhum bebê foi assassinado.


4. Sem novas investigações

Em 20 de janeiro deste ano, 2026, o Serviço de Procuradoria da Coroa (CPS, na sigla em inglês) relatou ter analisado novas provas relativas às novas acusações de homicídio e tentativa de homicídio contra nove crianças no Hospital Countess of Chester e no Hospital Feminino de Liverpool.

Entretanto, “o teste probatório não foi cumprido em nenhum desses casos”, relatou a entidade, segundo repercutido pela BBC. Desta forma, Lucy Letby não enfrentará novas acusações criminais relacionadas às mortes de bebês e aos colapsos ocorridos nos hospitais onde trabalhava.


5. Pais revoltados

Com a estreia iminente do documentário da Netflix, os pais de Lucy, Susan e John Letby, se mostraram incomodados com a divulgação de imagens exclusivas sobre o caso, como as cenas que mostram Lucy sendo presa na casa do casal. Os pais de Letby temem que a repercussão transforme o endereço em uma “atração turística”.

“Os programas anteriores sobre Lucy, incluindo o Panorama e os noticiários quase diários mostrando-a sendo levada algemada e vestindo um agasalho azul, são de partir o coração para nós. No entanto, este documentário da Netflix é de outro nível. Não tínhamos ideia de que estavam usando imagens da nossa casa. Não vamos assistir — provavelmente nos mataria se assistíssemos”, disseram em nota enviada ao Sunday Times.

Lucy Letby sendo presa – Getty Images

Os pais dela disseram que as imagens de Letby “sendo presa em seu quarto em nossa casa e se despedindo de um de seus amados gatos” foram “ainda mais angustiantes”.

Só Deus sabe o quanto mais eles têm para mostrar. Tudo isso acontecendo na casa onde moramos há 40 anos. Fica em uma pequena rua sem saída, em uma cidade pequena onde todo mundo se conhece”, disseram. “É uma completa invasão de privacidade, da qual não saberíamos nada se o advogado de Lucy não tivesse nos contado.”

No comunicado, o casal também alega que o superintendente detetive Paul Hughes, um dos investigadores do caso, parecia nutrir um “ódio profundo” por eles. “Por que Paul Hughes, com quem sempre cooperamos plenamente, tem permissão para mostrar ao mundo o que aconteceu em nossa casa naquela manhã, e a Netflix sequer tem a decência de nos avisar?”.

“Ele parece nutrir um profundo ódio por nós, mesmo tendo sido nós que denunciamos, em março de 2017, que [os médicos do hospital] Stephen Brearey e Ravi Jayaram estavam usando Lucy como bode expiatório”, completaram.

Jornalista de formação, curioso de nascença, escrevo desde eventos históricos até personagens únicos e inspiradores. Entusiasta por entender a sociedade através do esporte. Vez ou outra você também pode me achar no impresso!