Novas imagens orbitais mostram que Marte já teve oceanos
Pesquisadores encontram evidências claras de antigos deltas e planícies de rios em Marte

Um estudo internacional baseado em imagens de alta resolução captadas por sondas orbitais revelou que Marte pode ter abrigado oceanos vastos no passado, com estruturas semelhantes às deltas fluviais observadas na Terra — reforçando a ideia de que o planeta vermelho foi um “planeta azul” com hidrologia ativa há bilhões de anos.
A pesquisa, conduzida por cientistas da University of Bern e colaboradores, utilizou imagens detalhadas de diversas câmeras orbitais — a sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, além de dados da Mars Reconnaissance Orbiter da NASA e da Mars Express da ESA — para mapear formações geológicas na região do Valles Marineris, o maior sistema de cânions do Sistema Solar. Essas imagens mostraram formas geomorfológicas muito parecidas com deltas de rios terrestres, indicando que cursos de água marcianos desembocavam em um corpo de água extensa e estável no passado.
Oceanos em Marte
Esses deltas são estruturas em forma de leque que se formam quando rios transportam sedimentos até um grande corpo de água parada, como um mar ou oceano, e depositam seu material na foz. Essa dinâmica é bem conhecida na Terra, onde rios grandes como o Amazonas e o Mississippi formam deltas amplos ao encontrarem mares ou oceanos. A presença de tais feições em Marte sugere que fluxos de água contínuos e de grande escala teriam existido, o que implica um ciclo hidrológico sustentável no planeta vermelho há cerca de três bilhões de anos.
Com base na elevação dos depósitos e nas feições costeiras identificadas, os pesquisadores estimam que esse antigo oceano marciano pode ter sido pelo menos tão grande quanto o Oceano Ártico da Terra, ocupando vastas áreas no hemisfério norte do planeta. Essa interpretação amplia e robustece hipóteses anteriores sobre oceanos marcianos, que já haviam sido sugeridas por estudos de deltas, canais e minerais alterados pela água, mas que careciam de evidências tão claras de uma linha costeira bem definida.
A descoberta é significativa não apenas porque documenta a presença de água líquida em grandes volumes na superfície de Marte, mas também porque implica que as condições ambientais do planeta eram, em algum momento de sua história, possivelmente mais quentes e úmidas, com rios fluindo e sedimentando materiais em corpos de água larga — um cenário que, na Terra, está diretamente ligado à potencial habitabilidade e à preservação de registros fósseis.